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Mãos ao alto!

Ir às urnas em 2022 seria apenas um exercício mecânico de uma cidadania teórica, mas o voto pode ser a bala de prata do eleitor; escolha bem seus alvos
Mãos ao alto!
Foto: Alan Santos/PR

Arthur Lira encerrou o ano legislativo na sexta-feira 17 com a certeza de dever cumprido. “Tenho certeza que esta Casa não se omitiu a responder aos anseios de cada brasileiro”, escreveu no Twitter, provocando uma enxurrada de comentários debochados e reações coléricas.

O Datafolha resumiu o sentimento de cada brasileiro hoje: só 10% dos eleitores aprovam o trabalho do Congresso Nacional, que avalizará para 2022 uma peça orçamentária com o menor nível de investimento público da história: R$ 44 bilhões.

O valor, que chegou a R$ 200 bilhões em 2012, caiu para R$ 63 bilhões em 2016, quando foi aprovado o teto de gastos, e chegou a R$ 48 bilhões em 2021 — quase 70% são emendas parlamentares.

O teto de gastos, em si, já foi para o espaço e seu objetivo (forçar a redução da máquina pública) abandonado pela classe política.

Gasta-se 13,4% do PIB só com pagamento de funcionários, enquanto os problemas de infraestrutura, educação, saúde e segurança permanecem e se aprofundam diante de desafios planetários, como a pandemia.

Não falta dinheiro, pois o brasileiro continua sendo escorchado com uma carga tributária que garante recordes de arrecadação.

O problema é que a riqueza produzida por cada um de nós se esvai em sucessivos esquemas de corrupção e num sistema manipulado pelos agentes públicos para manter e ampliar seus próprios privilégios.

Em 1991, Ulysses Guimarães disse que, se a composição daquele Congresso era ruim, a próxima  seria ainda pior e… pior.

Dois anos depois, foi instaurada a CPI dos Anões do Orçamento e, três décadas à frente, nos deparamos com as bilionárias emendas secretas, que senadores e deputados se esforçam para normalizar, com a cumplicidade do mesmo Supremo que pulverizou as operações Lava Jato, Castelo de Areia, Satiagraha e diversas outras investigações de crimes de colarinho branco.

O passado e o presente nos fazem desistir de acreditar num futuro diferente e apenas esperar um Congresso ainda pior, um presidente mais corrupto e insano, um sistema mais perverso. Ir às urnas em 2022 seria apenas um exercício mecânico de uma cidadania teórica, mas o voto pode ser a bala de prata do eleitor que deseja se libertar desse círculo vicioso. Escolha bem seus alvos.

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