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Troca de ministro e ano eleitoral esfriam CPMI do 'Bolsolão do MEC'

A avaliação é do senador Alessandro Vieira, vice-presidente da Frente Parlamentar da Educação; o grupo, porém, não desistiu de instalar a comissão
Troca de ministro e ano eleitoral esfriam CPMI do Bolsolão do MEC
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A ideia de instalar uma CPI mista, com deputados e senadores, para investigar o escândalo envolvendo pastores lobistas no Ministério da Educação de Jair Bolsonaro ganhou mais apoio que o esperado inicialmente por seus idealizadores, mas o colegiado pode acabar não saindo do papel.

O próprio senador Alessandro Vieira (PSDB-SE), vice-presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação, disse a O Antagonista nesta quarta-feira (30) que “a tendência é que o ano eleitoral e a saída do ministro Milton Ribeiro diminuam o ímpeto” da iniciativa.

Neste mês, o Estadão e a Folha divulgaram reportagens que mostravam como pastores sem cargo no governo intermediavam a liberação de verbas da pasta da educação. Há denúncias de cobranças de propina por parte dos religiosos. O escândalo ficou conhecido como “Bolsolão do MEC”. Na última segunda-feira (28), Milton Ribeiro, flagrado numa gravação em que admite priorizar pedidos dos pastores, por indicação do presidente da República, foi exonerado.

Para Vieira, “o período é muito difícil” para se instalar uma CPMI no Congresso. Mas ele defendeu que o fato de ter havido a troca no comando do MEC não pode encerrar as investigações sobre o caso, no âmbito da Procuradoria-Geral da República e também no Congresso. “Não restam dúvidas de que é preciso apurar os fatos”, sustentou o senador (foto), que é pré-candidato ao governo de Sergipe.

O deputado Professor Israel Batista (PV-DF), presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação, montou uma força-tarefa para colher assinaturas dos colegas com o objetivo de emplacar a CPMI. A escolha por um colegiado misto se deu para tentar facilitar a instalação, uma vez que, caso fosse uma comissão somente da Câmara, a proposta teria que entrar em uma longa fila de pedidos acumulados na mesa de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Casa.

O grupo que trabalha pela CPMI, liderado por parlamentares da oposição, ainda não desistiu. Até aqui, já foram obtidas mais de 100 assinaturas de deputados — são necessários 171 apoios na Câmara e 27 no Senado. Nesta semana, a cúpula da Frente Parlamentar Mista da Educação se reunirá para atualizar a estratégia, que poderá incluir até a desistência da Comissão Parlamentar de Inquérito. Apesar dos entraves para que a proposta vingue, no entanto, tem surpreendido nos bastidores o apoio de deputados do centro e da centro-direita. A coleta de assinaturas continua.

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