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O que explica a saída de Bia Kicis da vice-liderança do governo no Congresso

A votação da PEC do Fundeb serviu apenas de pretexto para que Jair Bolsonaro chutasse da função de vice-líder do governo no Congresso a deputada Bia Kicis (PSL), sua fiel escudeira.

Contrariando a orientação do líder do governo na Câmara, Vitor Hugo (PSL), Bia votou contra a proposta, na noite da última terça-feira, ajudando a expor a desarticulação do Planalto na análise da matéria. O texto foi aprovado com apenas sete votos contrários no primeiro turno e seis votos contrários no segundo turno. A aprovação da PEC acabou sendo creditada a Rodrigo Maia e seus aliados.

Mas não foi só por isso que Bia perdeu a função — o comunicado da destituição foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União na noite de ontem.

O presidente tem buscado espaços para abrigar e afagar seus novos aliados do Centrão. Para isso, iniciou mudanças nas vice-lideranças do governo na Câmara e no Congresso. No início deste mês, por exemplo, Bolsonaro tirou da vice-liderança do governo na Câmara os deputados Daniel Silveira (PSL) e Otoni de Paula (PSC), aliados de primeira hora.

O próprio Vitor Hugo, líder do governo na Câmara, está com seu cargo ameaçado. Para o lugar dele, está cotado Ricardo Barros (PP), que já falou em “demitir” Bolsonaro. O deputado do Centrão foi vice-líder nos governos de Lula e Dilma Rousseff e ministro da Saúde de Michel Temer. Atualmente, já é vice-líder do governo Bolsonaro no Congresso. Foi ele o relator na Câmara da Lei de Abuso de Autoridade. Barros é um crítico feroz da Lava Jato e de Sergio Moro — leia aqui.

Além de tudo isso, Bolsonaro está fazendo um movimento para tentar se desatrelar de parlamentares investigados no inquérito que apura a organização e o financiamento de atos antidemocráticos e no chamado inquérito das fake news — que censurou O Antagonista e Crusoé –, ambos tramitando no STF.

Bia Kicis é investigada em ambos. Teve, inclusive, seus sigilos bancário e fiscal quebrados. Uma das acusações que pesam contra ela é a de organizar atos antidemocráticos. A parlamentar gastou recursos do cotão — dinheiro púbico, portanto — para contratar o marqueteiro Sérgio Lima, do Aliança pelo Brasil, partido que a família Bolsonaro tenta tirar do papel.

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