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Braga Netto obedece

O general apoiou as alopragens golpistas de Jair Bolsonaro, em 2021, e até ganhou um novo cargo por isso
Braga Netto obedece
Foto: Beto Barata/PR

Em 2021, Walter Braga Netto fez questão de mostrar para o Brasil que sabe ser tão capacho de Jair Bolsonaro quanto Eduardo Pazuello.

Ao enfrentar desgaste político crescente, baixa de popularidade e um STF disposto a reagir a suas investidas, Bolsonaro tentou trazer as Forças Armadas para o jogo. Referindo-se ao Exército como “meu Exército”, o presidente disse que os militares não iriam cumprir lockdowns “nem por ordem do Papa” — uma hipótese que jamais havia sido colocada pelos governadores que continuavam a ignorar o seu discurso sociopático em relação à pandemia.

Em março, o então ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, pediu demissão. Ele e Bolsonaro vinham se desentendendo havia meses, e o presidente passou a exigir a substituição do então comandante do Exército, Edson Pujol, que se recusava a fazer o papel de soldadinho do Planalto.

Bolsonaro nomeou, então, para a Defesa o então ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, disposto a apoiar seus devaneios autoritários.

Assim que o general assumiu, o Alto Comando do Exército renunciou de forma conjunta, em uma decisão inédita, expondo o dissenso com um presidente que pretendia cooptar as Forças Armadas.

A transferência de Braga Netto da Casa Civil para a Defesa também foi parte de uma manobra de Bolsonaro para abrir espaço para o Centrão no governo. Em uma dança das cadeiras, o Planalto conseguiu abrigar a deputada Flávia Arruda (PL-DF) na Secretaria de Governo.

Com o novo ministro da Defesa no comando das Forças Armadas, Bolsonaro deu início a sua maior sequência de ataques à democracia e ao processo eleitoral. O presidente passou a afirmar, todos os dias, que as eleições seriam fraudadas em 2022, se o voto impresso não fosse adotado.

O governo esperava que a Câmara dos Deputados aprovasse uma PEC para implementar o novo sistema de votação. Os ministros do governo também entraram no jogo para pressionar pela aprovação do texto.

Em julho, o Estadão noticiou que Braga Netto teria ameaçado Arthur Lira, avisando que, sem voto impresso, não haveria eleição em 2022. O general negou a informação.

No dia da votação do texto, Bolsonaro, Braga Netto e ministros do governo participaram de um desfile militar em Brasília. Tanques e blindados passaram pela Esplanada dos Ministérios, a caminho de uma campo de treinamento, em uma clara tentativa de intimidar os deputados na votação da PEC do voto impresso.

O episódio constrangedor virou motivo de piada e não teve qualquer resultado prático. A Câmara rejeitou a proposta por 229 votos a 218.

A derrota não impediu que Bolsonaro continuasse a ameaçar as instituições. Braga Netto assistiu calado ao presidente convocar manifestações golpistas para 7 de Setembro, com o objetivo de “enquadrar” o STF.

Bolsonaro passou semanas insinuando que as Forças Armadas poderiam intervir para destituir os ministros.

Quando chegou o grande dia, os atos bolsonaristas foram um fiasco, reunindo muito menos gente do que o esperado.

Enquanto isso, à medida que os trabalhos da CPI da Covid se encaminhavam para a conclusão, senadores defendiam que Braga Netto fosse convocado para depor. As investigações apontaram que ele ajudou a organizar o “Ministério da Saúde paralelo” e esteve envolvido na produção de um decreto presidencial que alterava a bula da cloroquina, em 2020.

A CPI acabou desistindo da ideia de ouvir o ministro. No relatório final, Renan Calheiros pediu seu indiciamento “por epidemia culposa com resultado morte”.

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