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Mario Sabino, na Crusoé: Ali Akbar

"O último vendedor de jornais ambulante de Paris não se aposentara. O meu velho mundo ainda resiste"
Mario Sabino, na Crusoé: Ali Akbar
Foto: Renzo Fedri/O Antagonista

“Nesta edição da Crusoé dedicada à liberdade de expressão, resolvi tirar Ali Akbar da minha caixa de assuntos”, diz Mario Sabino, em sua coluna.

“Ali Akbar era o último vendedor de jornais ambulante de Paris. Durante a pandemia, preso em São Paulo, li em sites franceses que ele havia se aposentado — o que só aumentou a minha sensação de que o meu velho mundo também estava dando o seu derradeiro suspiro. Quase setentão, Ali Akbar dizia estar cansado de andar de 15 a 20 quilômetros por dia, vendendo o seu pão de informação.

Ali Akbar é paquistanês de origem. Nasceu perto da cidade de Islamabad. Começou a trabalhar aos 6 anos, carregando sacos de cimento mais pesados do que ele, em canteiros de obras de Rawalpindi. Para escapar de uma prisão existencial recheada de violência e abusos, inclusive estupro, embarcou na marinha mercante, quando tinha 17 anos. Rodou o mundo e chegou à França em 1973. Fez uma escala em Le Havre e resolveu ficar no país. Dormiu debaixo de pontes e em porões. Começou a sua vida de vendedor de jornais ambulante com o Charlie Hebdo, o semanal satírico cuja redação foi dizimada por terroristas islâmicos, em janeiro de 2015. (Eu soube do atentado, aliás, por meio de Ali Akbar, que entrou no restaurante onde eu estava almoçando e anunciou aos clientes a tragédia que ainda não saíra nos jornais.) Quem lhe deu o trabalho foi um dos fundadores do Charlie Hebdo, Georges Bernier. Ali Akbar contou à revista Le Point que, muitas vezes, se sentiu constrangido por vender o jornal, por causa das charges atrevidas de Maomé. ‘Você sabe, venho de uma família puritana: muçulmana, com tendência budista’, disse.”

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