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O vale-tudo das pesquisas

Divergências gritantes entre resultados de pesquisas de intenção de voto ainda não provocaram reação do TSE; omissão custará caro ao processo eleitoral
O vale-tudo das pesquisas
Foto: Antonio Augusto/ASCOM/TSE

Pesquisa Ipespe divulgada hoje mostra Alvaro Dias (Podemos) liderando a disputa para o Senado pelo Paraná, com 31% das intenções de voto. Ele é seguido por Sergio Moro (União Brasil), com 24%, Dr Rosinha (10%) e Paulo Martins (7%). Em nota à imprensa, a assessoria do senador paranaense faz questão de ressaltar que o ex-juiz é o mais rejeitado entre os candidatos, com 31%.

Pode ser verdade. Mas, há apenas dez dias, pesquisa Realtime BigData apontou um cenário invertido, com Moro à frente de Dias, vencendo-o por 30% a 23%. Martins (PL) e Rosinha (PT) apareciam empatados com 8%. Quem está certo?

Ontem, o Instituto Paraná divulgou nova sondagem nacional, apresentando Lula e Jair Bolsonaro a apenas seis pontos percentuais de distância. Enquanto o Datafolha de duas semanas atrás apontou uma vitória do petista sobre o atual presidente de 19 pontos percentuais! A Quaest/Genial de ontem tascou 14 pontos de diferença entre ambos.

Não me parece que tais divergências, cada vez mais comuns, possam ser explicadas apenas por “variações metodológicas”, pois transbordam em muito possíveis margens de erro. O TSE, que se arvora defensor do processo eleitoral contra a ingerência militar, deixa correr o vale-tudo das pesquisas, a maioria encomendada por bancos e partidos. O Ministério Público é silente.

No Congresso Nacional, nenhum alma foi capaz até agora de sugerir a convocação de diretores e técnicos desses institutos para explicarem seus resultados em audiência pública. Muito menos se cogita uma CPI.

Pesquisas eleitorais e de opinião devem seguir métodos científicos, garantindo que a amostra de entrevistados seja representativa da população como um todo, minimizando possíveis vieses e distorções. Elas têm poder de influenciar o voto, uma vez que são necessariamente reproduzidas em larga escala pela imprensa e pautam o debate político e até as estratégias de campanha.

Sem accountability, correm o risco do descrédito e acabam por semear a dúvida num eleitorado já farto de manipulações. Contudo, servirão de combustível à retórica populista dos maus perdedores. 

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