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O Palácio dos Bandeirantes petista

Como Lula se move para o PT conquistar o governo paulista. Nesse jogo, Alckmin poderá perder a candidatura a vice, se o petista julgar isso conveniente
O Palácio dos Bandeirantes petista
Foto: Ricardo Stuckert

duas taças nas quais Lula (foto) quer colocar as mãos: a primeira, obviamente, é a presidência da República. Se for eleito, vai propagandearfalsamente — que as urnas o absolveram, coisa que a Justiça não fez, ao contrário do que dizem os petistas (anulação de processo não é absolvição). A outra taça é bastante vistosa também e, mesmo com Lula no Palácio do Planalto, o PT jamais foi capaz de ganhá-la: o governo do estado de São Paulo. Comandar o estado mais rico do país, uma fortaleza tucana, é ótima argamassa para a reconstrução do projeto de poder do partido, para além do ineditismo da conquista.

O roteiro de Lula está bem desenhado. Depois de tirar Geraldo Alckmin (foto) da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, ao oferecer-lhe a vaga de vice na chapa presidencial, o chefão petista quer que Guilherme Boulos, do PSOL, desista de ser candidato ao governo do estado, para compor com Fernando Haddad, que, sem Alckmin no páreo, lidera as pesquisas eleitorais. Em troca, o PT apoiaria Guilherme Boulos para prefeito de São Paulo, em 2024. Ao mesmo tempo, Lula tenta convencer Márcio França, do PSB, a desistir de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes, para tentar o Senado. Com isso, uniria a esquerda em São Paulo, com chance até de matar a eleição no primeiro turno. A recente operação da Polícia Civil contra o socialista, aliás, veio muito a calhar para o PT — mais até do que para João Doria. Deu uma murchada na candidatura de Márcio França ao Palácio dos Bandeirantes.

O candidato de João Doria, Rodrigo Garcia, tem um grande problema para decolar, para além de ser um personagem desconhecido: a rejeição que boa parte do eleitorado nutre em relação ao atual governador. A aposta é que a candidatura de João Doria ao Palácio do Planalto afunde ainda mais Rodrigo Garcia, que não poderá esconder o seu criador durante a própria campanha. Ainda não está claro se o antipetismo em nível estadual será capaz de anular a rejeição ao atual governador. Nem que será suficiente para dar uma boa votação a Arthur do Val, do Patriota, que está com o seu destino associado a Sergio Moro.

Ao fim e ao cabo dessa história cheia de personagens, após se deixar tirar da corrida ao Palácio dos Bandeirantes, traindo a sua base eleitoral ao aliar-se a Lula, Geraldo Alckmin poderá ser fritado pelo chefão petista, se ele julgar que o ex-tucano não terá tanta serventia para atrair nacionalmente os eleitores mais ao centro no espectro ideológico. Alckmin poderá ser substituído, por exemplo, por Rodrigo Pacheco, do PSD. Gilberto Kassab jura que só apoiará Lula num eventual segundo turno, mas, se o chefão petista permanecer firme e forte em primeiro lugar nas pesquisas, o cacique pessedista poderá aderir logo a Lula, em troca de uma dobradinha na chapa presidencial. Rodrigo Pacheco seria um ótimo chamariz em Minas Gerais — o segundo colégio eleitoral do país que conta com a particularidade de ser meio Nordeste, meio Sudeste e com um pé no Centro-Oeste. Em resumo, Rodrigo Pacheco seria um José Alencar 2.0, em termos eleitorais.

Todas essas manifestações públicas das “alas radicais” do PT contra a aliança com o ex-tucano são uma boa desculpa para que Lula venha a descartar Geraldo Alckmin, em nome da unidade partidária. O chuchu terá, então, perdido definitivamente o sabor que havia adquirido. As manifestações, é bom deixar claro, não ocorrem inteiramente contra a vontade de Lula. São consentidas pelo dono todo-poderoso do PT. E ninguém chiará muito se Lula se compuser con o PSD, como resultado das conversas que já ocorrem entre o chefão petista e Gilberto Kassab — que, aliás, pode concluir que o melhor vice seria ele próprio, ou achar melhor voltar às boas com Geraldo Alckmin, que se filiaria ao seu partido, para tê-lo como companheiro de chapa de Lula.

O jogo segue.

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