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No gesto de Adrilles, só faltou desmunhecar como Hitler

O braço direito dobrado em ângulo reto para cima, com a mão espalmada para a frente, é claro: foi saudação nazista. Quis ser engraçado, mas nada disso tem graça
No gesto de Adrilles, só faltou desmunhecar como Hitler
Reprodução/Jovem Pan News/YouTube

Não consigo mais acompanhar a sucessão de comentaristas que surgem a cada ano. Adrilles Jorge (ao centro na foto): nunca tinha ouvido falar. Juro. Soube que é ex-participante do BBB (não assisto) e, até horas atrás, comentarista da Jovem Pan (não ouço rádio). Falha minha.

Eu o vi apenas fazendo a saudação nazista, após discorrer sobre as repercussões do caso Monark (que, como disse ontem, também não conhecia, até que Sergio Moro deu uma entrevista ao canal Flow). Sim, Adrilles Jorge fez uma saudação nazista, a mais informal, digamos assim, com o braço direito dobrado lateralmente em 90 graus para cima, com a mão espalmada para a frente. Só faltou dar a desmunhecada para trás de Adolf Hitler. Depois do escândalo geral, ele foi dizer que não fez a saudação nazista, apenas deu tchau. Mentira, como aquela do bolsonarista Filipe Martins, que fez um gesto supremacista no Senado. Adrilles Jorge tentou bancar o engraçado, como fica claro pelo vídeo. Ele agora será investigado pelo Ministério Público de São Paulo, visto que divulgar nazismo no Brasil é crime — e fazer gesto nazista, em especial num meio de comunicação, é divulgar nazismo, não tem jeito, mesmo que você jure ser “antinazista por natureza”, para citar o gajo.

Na sequência, chamaram a minha atenção para um tweet de Fernando Holiday, o vereador do Partido Novo. Ele saiu em defesa de Kim Kataguiri, seu ex-companheiro de MBL, que no programa de Monark disse achar um erro a criminalização do nazismo na Alemanha e, nesse contexto, afirmou que, “por mais absurdo, idiota, antidemocrático, bizarro, tosco que [seja] o [que o] sujeito defenda, isso não deve ser crime”. Olhe, Kataguiri, na Alemanha deu certo, e fez parte do programa de desnazificação do país. No seu tweet, continuando, Fernando Holiday escreveu a seguinte genialidade: “Se o defensor da descriminalização das drogas não é tratado como traficante e o defensor da descriminalização do aborto não é tratado como assassino… Por que um defensor da descriminalização do nazismo deve ser visto como nazista? Obs.: sou contra as três descriminalizações”.

Alguém precisaria dizer a Fernando Holiday que os defensores da descriminalização das drogas não obrigam ninguém a consumir drogas e depois levam o viciado à força para dentro de um forno. E que os defensores da legalização do aborto também não obrigam mulheres a abortar e, em seguida, as matam em câmaras de gás. Já quem é a favor da descriminalização do nazismo, mesmo se declarando não nazista, dá uma baita mão a quem quer instalar uma ditadura e assassinar em massa judeus, ciganos, pretos, gays e pessoas com deficiências físicas e mentais. Além de inimigos políticos, obviamente.

Se houvesse permissão para a criação de um partido nazista, seria natural que se criasse também um partido escravocrata, por exemplo. Afinal de contas, se é possível ter no programa o extermínio de judeus — o antissemitismo é indissociável do nazismo, lhe é ESSENCIAL, repito –, por que outra agremiação não poderia querer que voltássemos a ter escravidão? O mesmo vale para um eventual partido misógino, que retiraria das mulheres o direito de votar, por exemplo.

Nazismo não é ideologia. É uma construção alucinada de um psicopata. Psicopatas não podem ter partidos. Ah, mas nazistas podem manifestar-se livremente nos Estados Unidos. Danem-se os Estados Unidos. Copiemos os acertos deles, não os erros. Nesse caso, adotemos o paradoxo da tolerância, que está na boca do povo desde ontem: o de ser intolerante com os intolerantes. São as minhas considerações finais. Não voltarei ao assunto.

Nada disso tem graça.

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