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Molon em dia de Moro

Candidato do PSB ao Senado pelo Rio é boicotado pelo próprio partido, que ignora a vontade dos eleitores e se submete ao projeto político de Lula e do PT
Molon em dia de Moro
Reprodução

Alessandro Molon (PSB) foi vetado pelo PT na disputa ao Senado pelo Rio. Lula, dono da legenda, quer que a vaga seja de André Ceciliano (PT), aquele que o Ministério Público disse não ter qualquer relação com os R$ 49 milhões movimentados por funcionários de seu gabinete.

Os petistas falam que houve um acordo prévio com o PSB, do qual o deputado federal garante não ter participado. Alegam ainda que o socialista nunca seria eleito, mas as pesquisas de voto dão Molon na liderança com 17%, tecnicamente empatado com Romário (PL) com 16%. 

Ceciliano aparece apenas em quinto lugar com 5%, ao lado de Clarissa Garotinho (União Brasil), que tem 4%. Certamente, a chance de vitória parece não ser o critério usado pelo PT.

Todo o enrosco ameaça o apoio de Lula a Marcelo Freixo (PSB). Dirigentes da legenda já cogitam embarcar na campanha do ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT), apoiado por Eduardo Paes (PSD). Anitta, que apoia Lula, não gostou do descarte de Molon.

Deve ser mesmo frustrante para um candidato popular ser boicotado pelo próprio partido. Imagine para o eleitor que esperava depositar seu voto, justamente, nesse candidato. Mas essa é a política dos caciques partidários, fortalecidos como nunca pelo dinheiro fácil do fundão eleitoral. 

Hoje, quem decide o futuro do país são os donos dos partidos. Como falta regulamentação para o financiamento público, eles alocam os recursos de forma discricionária, seguindo a lógica de negociações nada transparentes e, naturalmente, pouco republicanas. O eleitor é apenas um carimbador, alguém para chancelar os nomes que lhe são oferecidos.

O que acontece com Molon ocorreu também com Sergio Moro, vejam só, sabotado pelo Podemos. O ex-juiz chegou a ostentar entre 8% e 11% de intenções de voto. Na prática, o comando da legenda privou entre 13 e 17 milhões de eleitores de exercerem sua opção de voto. 

É do jogo político que um candidato tente submeter outro a seu projeto político para aumentar as chances de vitória no primeiro turno, como fez a Terceira Via com Moro ou como faz Lula com Janones (Avante) — e tenta fazer desde o ano passado com Ciro Gomes (PDT) e agora com Pablo Marçal (PROS).

Quando isso ocorre dentro do próprio partido por decisão exclusiva de um cartola político, complica. Marçal foi rifado por Eurípedes Jr em poucas horas, após assumir a legenda por força de uma decisão judicial. Sua candidatura acabou salva por outra decisão que devolveu o partido a Marcus Holanda. O resultado ainda é incerto. Caso Eurípedes reassuma, o PROS será entregue ao petista e os eleitores de Marçal ficarão a ver navios.

As distorções do sistema se estendem ao voto proporcional que, em 2018, permitiu a eleição direta de apenas 5% da Câmara dos Deputados — o resto dos assentos foi ocupado via quociente eleitoral por deputados pouco conhecidos, mas beneficiados por puxadores de voto escolhidos (e financiados) a dedo pelos mesmos caciques partidários.

Quem sabe até outubro alguém proponha um manifesto em defesa real da democracia?!

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