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Lula quer Alckmin como fantoche

Se vier a aceitar ser vice do petista, Geraldo Alckmin se prestará a ser subalterno de uma gente que não tem apreço nenhum pela democracia
Lula quer Alckmin como fantoche
Foto: Marcos Corrêa/PR

A campanha petista para que Geraldo Alckmin vá para o PSB, partido de Márcio França, e seja o vice de Lula continua acirrada na imprensa, em especial na Folha. Como acabamos de publicar, ao ser perguntado hoje sobre o assunto, o ex-governador foi evasivo e, entre respostas genéricas, afirmou que “a política precisa ser feita com civilidade, com quem tem apreço pela democracia. Em relação a candidaturas, a decisão não é agora, não é já”. Indagado se Lula teria apreço pela democracia, Geraldo Alckmin respondeu: “É claro que tem, não só ele”.

Não basta ser adversário de Jair Bolsonaro para que alguém se torne um democrata. O apreço de Lula e sua turma pela democracia ficou demonstrado sobejamente nos escândalos do mensalão, do dossiê dos aloprados e do petrolão, nos quais o PT lançou mão de métodos vergonhosos para fraudar a democracia. O apreço também está claro pela tentativa de controlar a imprensa — promessa que ele disse que cumprirá, se vier a ser eleito em 2022. Lula e sua turma também mostraram amor pela democracia ao defender a ditadura em Cuba, a Venezuela (onde ajudaram o ditador Hugo Chávez a firmar-se no poder) — e, dias atrás, ao elogiar a vitória roubada do tirano Daniel Ortega na Nicarágua, em nota que acabou retirada do ar, porque poderia pegar mal eleitoralmente para Lula, não por convicções democráticas.

O chefão petista tem acenado a Geraldo Alckmin com a possibilidade de ele não ser um vice decorativo. De acordo com os jornais, ele disse que, como terá de viajar muito ao exterior, para restaurar a imagem do Brasil, o seu vice ficaria no comando durante boa parte do tempo. Acreditar que Lula dividiria o poder com Geraldo Alckmin ou qualquer outro político é tão ingênuo quanto crer no seu apreço pela democracia. Aliás, é de se pensar se a retirada do ar da nota do PT sobre a vitória espúria de Daniel Ortega não ocorreu principalmente para evitar problemas na aproximação com o ainda tucano.

Na sua fala de hoje a jornalistas, Geraldo Alckmin afirmou: “Já disseram que eu vou ser candidato a senador, a governador, a vice-presidente. Vamos ouvir. Ficou muito honrado com a lembrança do meu nome”. Se vier a aceitar ser vice de Lula, dentro do plano do petista para amealhar votos entre eleitores conservadores, Geraldo Alckmin será apenas fantoche de uma gente que não tem apreço nenhum pela democracia. Um subalterno útil. E, por isso, será alvo do desprezo dos verdadeiros democratas que lhe deram os diversos mandatos que exerceu.

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