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Lula e Bolsonaro: só acaba quando termina

O chefão petista continua favorito, mas no voto espontâneo a diferença não é grande. É a partir daí que as campanhas são construídas
Lula e Bolsonaro: só acaba quando termina
Foto: Adriano Machado/Crusoé

Na sexta-feira passada, escrevi que uma leve brisa começa a soprar a favor de Jair Bolsonaro (foto) para as eleições de outubro. Hoje, uma pesquisa encomendada pelo BTG Pactual volta a confirmar o favoritismo de Lula. No voto espontâneo de primeiro turno, o chefão petista tem 38% e o atual presidente, 27%. No voto estimulado. Lula sobe para 43%, ao passo que Jair Bolsonaro alcança 29%, em variação dentro da margem de erro de dois pontos.

No cenário de segundo turno, o chefão petista seria eleito com 54% e Jair Bolsonaro perderia com 35%. Faz sentido aritmético, quando se leva em conta os altos índices de rejeição ao nome do atual presidente e de desaprovação ao seu governo — em todos os cenários, ele perde para qualquer oponente, de acordo com a mesma pesquisa. Lula tem tudo para vencer a disputa, mas, ainda assim, não dá para dizer que o chefão petista já ganhou. Lula jogará todas as cartas para encerrar o jogo no primeiro turno e Jair Bolsonaro, para diminuir a diferença que o separa do primeiro colocado. A questão, aqui, é saber quem terá mais cartas. Do ponto de vista de apoio político, o Centrão poderá fazer diferença a favor do atual presidente no primeiro turno — e, se a distância entre ele e Lula for bastante encurtada para o segundo, Ciro Nogueira, Valdemar Costa Neto et caterva enxergarão aí uma oportunidade real de ganhar um presidente para chamar de seu nos próximos quatro anos, deixando de lado a sua natureza de escorpião (que poderá ser retomada a qualquer tempo, convenhamos).

A imprensa não dá muita bola para as sondagens de voto espontâneo no primeiro turno, mas os profissionais da segunda profissão mais antiga do mundo não as desprezam, porque é a partir delas que as campanhas são inicialmente construídas, a fim de tentar reforçar os pontos positivos do recall e diminuir o impacto dos negativos. O fato é que, segundo a pesquisa encomendada pelo BTG  Pactual, a diferença entre Lula e Jair Bolsonaro é de apenas 11 pontos na espontânea, podendo chegar a um máximo de 15 pontos e a um mínimo de 7 pontos, nas variações da margem de erro. É relativamente pouco para um presidente da República tão rejeitado nas pesquisas estimuladas.

A leve brisa continua a soprar. Como dizia o Chacrinha, o programa só acaba quando termina.

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