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Jairzinho e a bruxa da rachadinha

Um bolsonarista reconhece que houve rachadinha nos gabinetes do clã Bolsonaro, mas jura que eles não sabiam. A culpa foi de uma mulher perigosa
Jairzinho e a bruxa da rachadinha
Foto: Reprodução, Facebook

O que há de mais antigo do que o mito da mulher má?

Eva causou a expulsão do paraíso ouvindo a lábia da serpente e convencendo o pobre Adão a comer a maçã. As sereias têm voz de veludo e rosto bonito, mas quando os homens pulam na água, descobrem que elas são monstros da cintura para baixo – tarde demais. E assim por diante, através dos séculos, até as fêmeas fatais do cinema.

Nesta sexta-feira o bolsonarismo deu sua própria contribuição à galeria das mulheres monstruosas, contra as quais os homens, coitados, são indefesos: a bruxa da rachadinha. 

Jacaré, um dos assessores mais próximos de Jair Bolsonaro, deu uma entrevista estranha, com toda a cara de vazamento controlado, como observou O Antagonista, à revista Veja. Candidamente, ele reconhece que esquemas de rachadinha funcionaram por muitos anos nos gabinetes parlamentares do antipresidente e de seus filhos 01 (Flávio) e 02 (Carluxo)

O assessor reconhece também que é impossível dissociar o clã das falcatruas, porque eram os Bolsonaro que autorizavam a contratação e a demissão dos funcionários obrigados a devolver a maior parte de seus salários. Ainda assim,  Jacaré jura que os rapazes não sabiam. A culpada de tudo foi a ex-mulher de Bolsonaro, Ana Cristina Valle (foto).

Jacaré a descreve desta forma: “Ela é muito perigosa. É uma mulher que quer dinheiro a todo custo.” Segundo ele, até hoje a mãe de Jair Renan, o filho 04, chantageia Bolsonaro, exigindo dinheiro e vantagens para ficar calada. “Às vezes, ela vai ao cercadinho, frequenta o cercadinho. É uma forma de chantagem, lógico que é chantagem.” Que medo. 

Eu não estou dizendo que Ana Cristina Valle é inocente. Com certeza, ela está mergulhada nessa história até o pescoço. O que estou dizendo é que a hipótese de Bolsonaro e seus filhos terem sido manipulados ao longo de anos por uma megera, sem jamais perceberem nada, sem jamais terem tocado em um centavo do dinheiro desviado, é rídicula.

O caso mostra, além disso, como a mentalidade bolsonarista está enraizada na pré-história: a culpa é da medusa, da vampira, da feiticeira. De quem mais poderia ser? 

Alô Damares, Bia Kicis, Carla Zambelli. Cuidado, ainda vai sobrar para vocês. 

Quem analisa as pesquisas eleitorais que vem sendo feitas, descobre que a aprovação de Bolsonaro entre as mulheres é sistematicamente menor (bem menor) que entre os homens. Segundo os pesquisadores, essas mulheres não engolem a maneira como Bolsonaro lidou com a pandemia, ignorando os mortos e lutando contra as vacinas. 

Desconfio que a lorota de que Bolsonaro é um homem santo, ludibriado pela mulher má, não vai melhorar a imagem do antipresidente entre essas eleitoras. 

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