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Bolsonaro pode se beneficiar de investigação frágil

Pedido de prisão de Milton Ribeiro e outros investigados parece precipitado, considerando apenas os indícios obtidos pela PF até agora
Bolsonaro pode se beneficiar de investigação frágil
Foto: Luis Fortes/MEC

Todos ouvimos o áudio em que Milton Ribeiro fala do “pedido especial” de Jair Bolsonaro para que o Ministério da Educação atendesse prioritariamente prefeituras ligadas ao pastor Gilmar Santos.

Vimos as visitas dele e de seu parceiro Arilton Moura à Presidência e ao MEC, assistimos ao depoimento de um prefeito assediado pelos lobistas a pagar, em barra de ouro, a ‘comissão’ para liberação dos repasses.

Esse trabalho foi feito pela imprensa.

Cabia à Polícia Federal aprofundar as denúncias com investigações capazes de confirmar a dinâmica do esquema e o fluxo da propina entre os integrantes da suposta organização criminosa.

Não há nada disso no relatório da Polícia Federal que subsidiou a decisão do juiz Renato Borelli pela prisão preventiva, o que explica a facilidade com que o desembargador Ney Bello a derrubou hoje cedo.

A PF reproduziu uma transferência de R$ 30 mil reais entre dois investigados e o depósito de R$ 60 mil da filha de Arilton para a mulher de Ribeiro, lastreado na venda de um veículo. São transações comerciais, por certo. Nada têm de ilícitas, a princípio.

Por isso, o MPF endossou o pedido de afastamento do sigilo bancário dos alvos para aprofundar a apuração, mas foi contra a prisão neste momento. Esse era o caminho natural, mas Borelli optou por um atalho.

O problema de investigações malfeitas e decisões judiciais precipitadas é que elas tendem a fortalecer os investigados e seu entorno político. Em ano eleitoral, esse risco é ainda maior.

Foi assim, no ano passado, quando policiais foram autorizados a realizar buscas nas casas de Ciro e Cid Gomes, acusados de integrarem esquema de propina na construção da Arena Castelão.

Nas duas oportunidades, a Justiça ignorou as manifestações contrárias do Ministério Público Federal e acolheu os pedidos da PF. No caso de Ciro, o TRF-5 anulou as buscas. Não é difícil que aconteça o mesmo com o caso de Ribeiro.

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