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'Muita gente que defende que as pessoas não se vacinem toma cloroquina e parece não ler a bula'

Helaine Capucho, gerente de Farmacovigilância da Anvisa, sobre Coronavac para crianças: 'Quanto mais opções, melhor'
Muita gente que defende que as pessoas não se vacinem toma cloroquina e parece não ler a bula
Foto: Myke Sena/MS

A gerente de Farmacovigilância da Anvisa, Helaine Capucho, disse que muitas das pessoas críticas a vacinas tomam medicamentos comprovadamente ineficazes contra a Covid e que possuem riscos de efeitos colaterais graves.

“Muita gente que defende que as pessoas não se vacinem, e não vacinem seus filhos, toma ivermectina, toma cloroquina, e parece não ler a bula”, disse a farmacêutica, em entrevista a O Antagonista.

“Porque a bula da cloroquina – lá tem parada cardícaca (…) Existem evidências de que esse e outros tantos eventos adversos, como hepatite fulminante, acontecem com cloroquina”, acrescentou.

“O papel da farmacovigilância é prevenir eventos adversos. Então nós alertamos a população que nesse casos os benefícios de ivermectina e cloroquina não são comprovados. Então a balança é totalmente pendente para os riscos nesse tipo de produto”, disse Capucho.

A entrevista foi gravada na sexta (21), mesmo dia em que o secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Hélio Angotti Neto, rejeitou com uma canetada um parecer de uma comissão científica que mostrou que os medicamentos favoritos do presidente Bolsonaro não funcionam contra Covid.

Em sua nota técnica, Angotti Neto citou o tal “tratamento precoce”, termo que não aparece no parecer da Conitec.

Capucho também comentou a decisão do prefeito de Lençóis Paulista, Anderson Prado (DEM), de suspender a imunização de crianças na cidade por sete dias após uma delas sofrer parada cardíaca cerca de 12 horas depois de receber a vacina pediátrica da Pfizer. “O gestor local do SUS [no caso, a prefeitura] pode agir pelo princípio da precaução”, disse a farmacêutica.

E destacou: “A investigação já foi encerrada. Já foi descartada relação da vacina com o evento que foi apresentado pela criança”.

O Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria de Saúde paulista informou na quinta (20) que a criança que sofreu uma parada cardíaca na cidade tem uma pré-excitação no eletrocardiograma, característica da síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW).

Também na quinta (20), a Anvisa autorizou a Coronavac para crianças e adolescentes a partir dos 6 anos, meses depois de rejeitar um pedido semelhante do Butantan.

“O Butantan trouxe novos dados sobre a continuidade dos estudos que estão sendo realizados pela Sinovac em países ao redor do mundo”, disse Capucho.

Entre eles, informações sobre um estudo de efetividade, ou seja, “de vida real”, realizado no Chile. De 13 setembro a 7 de outubro de 2021 foram aplicadas mais de 634 mil doses de Coronavac em crianças de 6 a 11 anos. Foram registrados 71 casos de reações adversas, o equivalente a 0,011% do total de doses. Dessas, 94% foram classificadas como “não sérias”, como vômitos, prurido e dor no local da aplicação.

Um outro estudo chileno, preliminar, envolvendo mais de 1,9 milhão de crianças e adolescentes de 6 a 16 anos, mostrou efetividade de 74% da Coronavac para prevenir infecção ou sintomas, 90% para prevenir hospitalização e 100% para prevenir internação na UTI ou morte.

“Os resultados sugerem, portanto, que a vacina Coronavac foi significativamente efetiva contra hospitalização, internações em UTI e óbitos na população pediátrica”, escreveu em seu voto a relatora Meiruze Freitas, uma das cinco diretoras da Anvisa.

No Chile, a vacinação de crianças de 3 a 5 anos com Coronavac começou apenas em 6 de dezembro, e a Anvisa entendeu que os dados ainda são insuficientes para autorizar a vacina para essa faixa etária. No mês passado, a agência autorizou a vacina pediátrica da Pfizer para as crianças de 5 a 11 anos.

Uma vez abastecido de novos dados, o Butantan poderá fazer um novo pedido à Anvisa, para que a Coronavac seja autorizada também para crianças de 3 a 5 anos.

“No interesse da Anvisa, quanto mais opções terapêuticas para o enfrentamento à Covid, melhor”, acrescentou a gerente de Farmacovigilância.

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