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Bolsonaro não tem competência para copiar '6 de Janeiro' de Trump, diz professor

Para Carlos Gustavo Poggio, da Faap, maior impacto da invasão é a radicalização do Partido Republicano
Bolsonaro não tem competência para copiar 6 de Janeiro de Trump, diz professor
Foto: Official White House Photo by Shealah Craighead

O presidente Bolsonaro não tem competência para promover no Brasil algo equivalente à invasão do Capitólio, que completou 1 ano nesta quinta (6). A avaliação é de Carlos Gustavo Poggio, professor de relações internacionais da Faap.

“Não se consegue fazer isso no Brasil com um exército de velhinhas no WhatsApp”, disse Poggio, em entrevista a O Antagonista. 

“Você pode ter uma meia dúzia de malucos e tal. Mas ao contrário do Trump – que tinha certa aderência na sociedade, tinha de alguma forma o apoio de um partido estruturado, tinha o apoio de órgãos de mídia, etc. – o Bolsonaro é um amador”, acrescentou.

“Ele é incapaz até de planejar um golpe (…) É alguém que tem umas ideias meio soltas – não sei nem se dá para chamar de ideias. Um conjunto de pensamentos erráticos que ele vai consumindo em volta dele, [com] os filhos dele. Portanto, talvez não aconteça no Brasil por falta de competência e por falta de apoio popular significativo”.

Questionado sobre as manifestações do último 7 de setembro, que encheram a Esplanada em Brasília, Poggio respondeu: “O que aconteceu no 7 de setembro, como diria Regina Duarte, foi o pum do palhaço”.

“Se fosse para dar um golpe ali, o Bolsonaro apoiaria. Mas é que ele não tem força. Ele tentou de todas as formas, deu todas as dicas possíveis. Desfile militar, falou que não era para respeitar [decisões do ministro Alexandre de Moraes] e tal, e aí teve que no dia seguinte ler cartinha do Michel Temer”, destacou Poggio. “Ele é um alguém que tenta copiar o Donald Trump, mas não tem competência para chegar perto”.

Para Poggio, a principal consequência da invasão do Capitólio está mesmo nos Estados Unidos: a radicalização do Partido Republicano, que em sua enorme maioria não condenou o ataque.

“Gradualmente o Partido Republicano, em vez de rejeitar o que aconteceu, foi absorvendo e abraçando. Ou seja, está completamente tomado pelo Donald Trump”, afirmou.

Poggio citou as várias pesquisas de opinião que mostram que a maioria dos eleitores republicanos ainda acredita na fantasia de que Trump venceu a eleição de 2020.

Esse mito pautou o discurso de Biden no aniversário da invasão do Capitólio. O presidente disse nesta quinta (6), sobre Trump: “Ele é um ex-presidente derrotado – derrotado por uma margem de mais de 7 milhões de seus votos em uma eleição plena, livre e justa. Simplesmente não há prova de que os resultados das eleições foram errados. Na verdade, em todos os locais onde se exigiu produção de provas e juramento para dizer a verdade, o ex-presidente não conseguiu defender sua posição“.

“Você tem uma porcentagem grande de republicanos que acham que aquelas pessoas que invadiram o Capitólio – aquelas cenas horrorosas, um dos pontos mais baixos da democracia americana, que aquelas pessoas vestidas de corno, vestidas de não sei o quê mais – elas eram patriotas”, acrescentou Poggio.

“Me parece que consolida-se nos Estados Unidos um partido que começa a agir como partido de direita radical. Grande parte dos seus apoiadores acabam concordando com questões de violência política”.

Nesta quinta (6), a presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, conduziu um minuto de silêncio em memória das cinco pessoas mortas durante a invasão do Capitólio. Havia apenas uma deputada republicana presente: Liz Cheney, do Wyoming. Cheney e apenas mais um deputado republicano integram a CPI que investiga o ataque.

O líder da Minoria, Kevin McCarthy, quis indicar para a CPI três deputados que votaram para derrubar os resultados eleitorais no Arizona e na Pensilvânia. Como Pelosi recusou as indicações de dois deles, McCarthy decidiu não nomear ninguém, deixando várias cadeiras vagas.

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