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O pior semestre em 40 anos

Entenda por que o período encerrado nesta quinta-feira, 30, pode ser considerado o pior das últimas quatro décadas pelos mercados e saiba como se proteger
O pior semestre em 40 anos
Foto: Sergei Tokmakov/Pixabay

Não é novidade que nos últimos anos passamos por eventos que marcaram a história. Sim, estou me referindo à pandemia e à guerra, mas também me refiro ao estouro, a partir desses gatilhos, das consequências das decisões dos governos e bancos centrais ao redor do mundo.

O resultado? Inflação.

Apesar de os números referentes ao mês de junho ainda não terem sido divulgados, já conseguimos ter uma bela noção de como será o fechamento do semestre com os dados de maio. Tanto no Brasil quanto nos EUA, os preços da cesta de consumo subiram aproximadamente 5%; ou seja, a inflação, que já estava alta em janeiro não só se manteve alta como se intensificou. Lá, a taxa anual está em 8,6%, aqui em 11,7%. Na Europa, o crescimento é ainda pior: de 4,6% para 8,6%.

Uma das respostas para combater o aumento de preços, que é completamente nocivo às classes mais baixas da sociedade, foi o aumento dos juros no mundo. O grande problema disso é que, como os novos títulos estão sendo oferecidos com taxas maiores, os títulos preexistentes se desvalorizaram, sendo que é neste mercado que grande parte do capital do mundo está.

Aqui no Brasil, por exemplo, esse processo de aumento de juros já havia começado no ano passado, alcançando a taxa de 13,25% ao ano ao fim do semestre. Nos EUA, que só começaram esse movimento de alta em março, os juros estavam entre 0% e 0,25% ao ano, e agora se encontram entre 1,5% e 1,75%. Já a Europa, atrasada nesse processo, começou e terminou o semestre sem alterar o seu juro negativo, de -0,5% ao ano.

Outra consequência do aumento dos juros é que o capital tende a circular no mundo em busca de capturar essas taxas mais atrativas, afetando diretamente o câmbio dos países envolvidos.

A Europa, por exemplo, por ter uma taxa menos atrativa, perdeu competitividade. Consequentemente, seu câmbio vem se desvalorizando contra seu principal competidor, o dólar. Com isso, a moeda americana, que em janeiro comprava 0,87 euros, hoje compra 0,96 euros, quase 10% a mais. Já o Brasil, com taxa mais atrativa e fiscalmente mais sólida que os pares emergentes, teve seu câmbio valorizado contra o dólar em 5,5%.

Uma terceira consequência do aumento de juros no mundo é a desvalorização das empresas. Isso acontece tanto porque as companhias precisam entregar muito mais resultados para gerar um retorno maior que o dos juros básicos como porque há uma fuga de capital em busca de segurança, migrando da Bolsa (foto) para esses títulos que agora estão pagando mais.

Nos EUA e na Europa, essa queda no semestre foi de 20%; no Brasil, de 6%. Calcula-se que o valor de mercado das empresas listadas no mundo, em dólares, tenha caído de 120 trilhões para 98 trilhões. Também houve uma queda muito grande no mercado de criptomoedas, de 2,2 trilhões de dólares para 860 milhões de dólares.

Mas claro: alguns mercados conseguiram, sim, resistir no semestre. Um dos principais índices de commodities, o CRB, apesar de ter sofrido uma forte queda recentemente, ainda assim fechou o período no positivo, com uma alta de 3,1%. Em grande parte porque, dessas commodities, as que mais se valorizaram foram as de energia, diretamente afetadas pelos conflitos na Europa. O XLE, ETF das empresas desse segmento, mesmo com a recente queda de 20%, fechou o semestre subindo 30%.

A destruição de valor foi gigantesca, como nunca registrada. Seja no mercado de renda fixa, de renda variável ou até de criptomoedas, no geral, as pessoas perderam dinheiro. Portanto, não se culpe se esse for o seu caso. Mas, se você quer fazer parte do grupo de pessoas que conseguiram multiplicar o patrimônio mesmo num cenário como esse, conheça as séries Inv com diferentes estratégias, como a Você Gestor e a Top Trades.

Nícolas Merola, analista CNPI da Inv Publicações.

 

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