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Gerdau: no seu melhor momento, mas precificando o pior

Siderúrgica lucrou no segundo trimestre de 2022 100% acima do esperado no ano passado; apesar disso, mercado prevê queda nos lucros em 2023
Gerdau: no seu melhor momento, mas precificando o pior
Foto: Divulgação

A Gerdau (foto) reportou mais um ótimo resultado referente ao segundo trimestre de 2022: lucro de R$ 4,3 bilhões, número 100% acima do esperado pelo mercado no ano passado para este trimestre. Mesmo tendo sido surpreendido, o mercado segue resistente em mudar de ideia.

A companhia siderúrgica, que tem como um de seus principais produtos o aço longo, tem tido uma forte geração de caixa e tem sido bastante pragmática com a alocação desses recursos. Podemos observar isso em duas vertentes. A primeira delas é a redução do seu endividamento líquido, que caiu de R$ 10,2 bilhões para R$ 4,7 bilhões em um período de 12 meses.

A segunda vertente tem sido a distribuição de dividendos e recompra de ações. Em dividendos, a empresa remunera o acionista num montante de R$ 6 bilhões, o que representa atualmente uma renda em forma de proventos de 15% no ano. Em recompra de ações, o montante chegou a aproximadamente R$ 415 milhões.

Para isso, a Gerdau teve uma geração de caixa de cerca de R$ 13,5 bilhões, representando por volta de 34% do seu atual valor de mercado —muito acima da média das empresas listadas na Bolsa brasileira.

Mas por que isso acontece?

Isso ocorre por causa das expectativas do mercado. Um ano atrás, por exemplo, a média dos analistas esperava um lucro de R$ 2 bilhões para a companhia no segundo trimestre deste ano. Sim, a expectativa média estava errada em 100% e, como falamos anteriormente, o lucro foi de R$ 4 bilhões.

E é exatamente a mesma coisa que a média do mercado está fazendo agora, projetando uma queda de 50% nos lucros da companhia para o segundo trimestre de 2023.

O que podemos tirar de conclusões desse cenário?

A primeira é que não devemos temer o mercado ou acreditar levianamente em suas projeções, pois, como podemos perceber, essas projeções muitas vezes podem estar erradas.

A segunda, especificamente sobre Gerdau, é que observamos uma empresa que possui um baixo nível de endividamento e um retorno de 34% no ano, sendo que esse retorno pode ser majoritariamente distribuído em dividendos.

Já as estimativas do mercado, um tanto quanto pessimistas, dão conta de um retorno de 15%, que ainda é muito elevado. Ou seja, o acionista de Gerdau deve se beneficiar acima da média em qualquer cenário.

O que acredito é que o retorno da companhia deve ser algo no meio do caminho. Portanto, nem tão quente nem tão frio: estimo algo como 20% a 25% de retorno para Gerdau, sendo que este pode ser, em grande parte, via dividendos.

Dessa forma, temos uma empresa com longo histórico de gestão, atualmente com políticas austeras e com expectativa de retorno que parecem ser o dobro do que o Ibovespa geralmente entrega aos investidores.

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João Abdouni, analista CNPI na Inv Publicações.

 

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