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Fomc e Copom, quem diria, correndo no mesmo páreo

Ivan Sant'Anna comenta as medidas tomadas pelos comitês dos bancos centrais americano e brasileiro para tentar conter a escalada da inflação
Fomc e Copom, quem diria, correndo no mesmo páreo
Foto: Federalreserve.gov

Ao ser criado, em 20 de junho de 1996, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil) se espelhou no Fomc (Federal Open Market Committee), colegiado do Fed (o banco central americano).

Desde o início, porém, os objetivos eram ligeiramente diferentes. Enquanto o Copom tinha como alvo manter a taxa anual de inflação dentro de uma banda fixada pelo Conselho Monetário Nacional, o Fomc, que existe desde a década de 1930, tem como linha de ação o propósito meio abrangente de defender o dólar.

Agora, após o desvario monetário mundial provocado pela irrupção da Covid-19, Fed e BC estão correndo no mesmo páreo, tentando debelar a inflação. O curioso é que o Copom está no fim do ciclo de alta da taxa Selic, enquanto o Fomc está do começo para o meio.

Na última quarta-feira, 15 de junho, os dois colegiados se reuniram quase ao mesmo tempo. Ambos aumentaram as taxas de juros. Só que, por incrível que possa parecer, a alta lá foi maior: 75 pontos (0,75%), contra 50 pontos (meio por cento) aqui.

A diferença a maior deles se explica pelo fato de que começaram mais tarde a combater o dragão. Jerome Powell (na foto), chairman do Fed, achava que se tratava de um fenômeno passageiro, enquanto Roberto Campos Neto, presidente do nosso BC, deu início ao processo de arrocho mais cedo.

Nos Estados Unidos, nos últimos 40 anos, não houve ciclo de aperto monetário que tenha acabado com juros abaixo da inflação. Portanto, de duas uma: ou caem os números (em maio de 2022, o CPI —sigla em inglês para Índice de Preços ao Consumidor— americano anualizado foi de 8,6%, o maior desde dezembro de 1981), ou a taxa básica de juros vai subir por muito tempo.

Aqui, com eleições presidenciais a menos de quatro meses e a possibilidade de um governo petista extinguir o teto dos gastos públicos, não há nada para comemorar.

A não ser o fato de que, um dia, nossa política monetária foi menos hawkish que a americana.

Ivan Sant’Anna, trader, escritor e colunista na Inv Publicações

Nota: Entender os movimentos da política e suas relações com os mercados, no Brasil e no mundo, é essencial para você tomar as melhores decisões nos seus investimentos. Saiba como receber os “insights” de investimentos do Ivan Sant’Anna no seu e-mail, clicando aqui.

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