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Descubra quem foi melhor: Nubank ou Banco Inter

As duas fintechs de maior destaque no Brasil apresentaram seus números na segunda (16); neste texto, analisamos os resultados divulgados pelas instituições

Ontem (segunda-feira, 16), as duas fintechs de maior destaque no Brasil, Nubank e Inter, apresentaram seus números. O Inter apresentou lucro líquido de 27 milhões de reais; já o Nubank divulgou prejuízo de 45 milhões de dólares, ou 225 milhões de reais.

Analisamos os resultados divulgados pelas duas instituições financeiras. Entenda abaixo qual delas teve o melhor desempenho.

Banco Inter (BIDI11)

A instituição financeira apresentou uma receita de 1,2 bilhão de reais, crescimento de 130% na comparação com o primeiro trimestre de 2021. Já o resultado de intermediação financeira foi de 544,5 milhões de reais, 78% superior ao mesmo período do ano anterior.

A provisão para devedores duvidosos subiu para 244 milhões de reais, e o crescimento das reservas para perdas do banco cresceu 156%. O índice de cobertura subiu para 92,5%, crescimento de 6,2% na comparação com o 1T21.

Já o resultado operacional foi negativo em 43,5 milhões de reais, o que foi compensado com 44,5 milhões de reais por eventos não recorrentes. O mais relevante deles foram 29,3 milhões de reais relativos à parcela da venda de 40% da Inter Seguros para a Wiz Soluções.

Adicionalmente, o banco também teve ganho com Imposto de Renda diferido de 26,5 milhões de reais, atingindo assim um lucro líquido de 27,5 milhões de reais.

Nubank (NUBR33)

Já o Nubank apresentou uma receita de 4,4 bilhões de reais, crescimento de 225% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado de intermediação financeira foi de 1,47 bilhão de reais, 133% superior ao mesmo período do ano anterior. A provisão para devedores duvidosos atingiu 1,38 bilhão de reais, 252% superior ao primeiro trimestre de 2021.

Diante disso, podemos observar claramente uma tendência de crescimento nas operações dos dois bancos digitais.

O resultado antes de impostos do Nubank foi um prejuízo de 340 milhões de reais, puxado principalmente pelo aumento das despesas administrativas, que fecharam o trimestre em 1,3 bilhão de reais, número 113% superior ao do ano passado.

Com isso, foi registrado um prejuízo de 225 milhões de reais, número bastante elevado. Já o índice de cobertura fechou o trimestre em 135%.

Os dois bancos estão expandindo o crédito nos últimos 12 meses. Neste sentido, esperamos um aumento do índice de cobertura ao longo dos próximos trimestres.

Índice de inadimplência

Analisando ambos os bancos, um fator que chama a atenção é a diferença no índice de inadimplência das duas instituições.

O Nubank possui uma carteira de crédito focada exclusivamente em pessoas físicas, sendo o cartão de crédito o principal produto. O índice de inadimplência acima de 90 dias do Nubank está em 4,2%, patamar próximo ao de bancos como o Itaú. Já o mesmo número do Banco Inter, observando apenas as operações de cartão de crédito, é de 6,6%.

Caso o número do Nubank fosse similar ao do Inter, o resultado teria sido ainda pior: excluindo os efeitos do Imposto de Renda diferido, nossa estimativa é que, caso o Nubank tivesse a mesma taxa de inadimplência em cartões de crédito, seu resultado teria sido um prejuízo de 101 milhões de dólares.

As duas instituições vêm expandindo suas operações de crédito aceleradamente; além disso, não possuímos base histórica robusta sobre o crédito concedido por essas empresas. Portanto, devemos acompanhar durante os próximos trimestres se o Nubank realmente possui uma inadimplência menor no cartão de crédito na comparação com o Banco Inter ou se essa situação é um fator não recorrente.

Valor justo: Banco Inter e Nubank

Com relação ao valor justo, como as empresas estão em uma fase inicial de suas atividades, é um pouco complicado neste momento exigir uma rentabilidade sobre patrimônio (ROE) em linha com a dos grandes bancos brasileiros, que gira entre 15% e 20%. No entanto, podemos avaliar a relação do preço sobre valor patrimonial de ambos, para efeitos de comparação.

Atualmente, o Banco Inter negocia a 1,6 vez o patrimônio, em linha com o Itaú, que tem muito menos espaço para crescer. Já o Nubank negocia a uma relação de preço sobre patrimônio de 4,6 vezes —o que observamos como bastante esticado, uma vez que já está embutido nesses números que o banco irá conseguir ter um ROE de pelo menos 15%, como os grandes bancos, e ainda obter um crescimento de 290% do seu patrimônio para justificar esse valor.

Já o Inter não tem esse preço no seu valor de mercado. Então, caso o Inter negociasse com as métricas do concorrente aqui analisado, teria um valor praticamente 3x maior do que o atual. Isso nos parece exagerado, visto que as empresas estão em fase similar; mas observamos os números do Banco Inter melhores, como explicamos acima.

Conclusão

Analisando o balanço dos dois bancos digitais, observamos o Inter —que é mais antigo, fundado em 1992— com números mais sólidos e maior controle sobre despesas, tanto de cartão de crédito quanto na questão do gerenciamento das despesas administrativas.

Outro fator que chama a atenção é que o Inter está mais próximo de entregar resultados lucrativos aos seus acionistas, com uma taxa de crescimento bastante elevada.

Por fim, o Inter está negociando com desconto de 3 vezes, ou 300%, para o valor de mercado do Nubank —não identificamos justificativa para isso, uma vez que ambos têm taxas de crescimento elevadas. Dessa forma, temos preferência por ter o Banco Inter em carteira, tanto por um maior histórico quanto por ter um balanço mais defensivo e um valuation mais atrativo.

João Abdouni, analista CNPI na Inv Publicações

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