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Agamenon: O buraco do Doria é mais embaixo

O Brasil estava na beira do abismo, mas isso mudou! O abismo se mudou para o Paraguai, onde o custo de vida é mais barato
Agamenon: O buraco do Doria é mais embaixo
Agamenon/O Antagonista

O Brasil estava na beira do abismo, mas isso mudou! O abismo se mudou para o Paraguai, onde o custo de vida é mais barato. Em seu lugar entrou o Buraco do Dória, que fica ali numa marginal, não sei se é a Marginal Maluf ou a Marginal Quércia. Na história de São Paulo existem muitos marginais que foram homenageados batizando vias rápidas.

Não é a primeira vez que um trocadilho infame chega às manchetes do jornal, aquele papel com notícias impressas que servia para embrulhar o peixe. Quem não se lembra do saudoso Escândalo da Mandioca? Ou do Rombo do Orçamento? Tudo isso ficou para trás (com trocadilho, por favor): o negócio agora é o Buraco do Dória, que nunca foi exposto antes porque ficava tapado pelas famosas calças apertadas do governador. Espero que o governo de São Paulo tenha cuidado para que esse acidente reto-urbanístico não piore ainda mais o caótico trânsito na maior cidade da América Latina. Imagina se o Minhocão escorrega no Rodoanel e acaba desabando dentro do Buraco do Dória?

Mudando de assunto: o país não é ovo, mas ficou chocado com as lamentáveis imagens do presidente Jair Bolsonasco comendo frango com farofa numa barraquinha. Apesar de sofrer de Alzheimer e Parkinson, não me lembrava de ter visto um porco comendo frango antes. Como todos sabem, o presidente é palmeirense de carteirinha —carteirinha falsificada. Muita gente acha que o presidente é um animal político, mas eu não concordo. Pra mim, ele não passa de um político animal. Talvez a intenção dele seja substituir o tradicional frango com farofa pelo porco com farofa. Aliás, acho que aquilo que Jair Porconaro engolia com a boca aberta não era nem farofa, porque macho que é macho come farinha: farofa é coisa pra mulherzinha com Covid. Segundo os comentaristas da Globonews, o presidente foi coerente porque tem feito um governo porco, devido às suas ligações com o ogronegócio. Quem não está gostando nada disso são os suínos, que não querem ser comparados com o presidente porcográfico. O Sus scrofa domesticus, mamífero bunodonte da família dos Suidae, vulgo porco, não distribui rachadinhas nem tem ligações com a milícia.

E o Rio de Janeiro continua lindo! Lindo de morrer! Não existe melhor lugar no mundo pra ser linchado e espancado até a morte do que a Cidade Maravilhosa. Aqui, o linchamento cruel de uma pessoa é realizado de frente pro mar, para que a vítima possa curtir a paisagem. Muitos pirracialistas dizem que esse crime brutal na Barra-Pesada da Tijuca é mais uma prova do preconceito de cor no país. Já os neorracistas preferem acreditar que aqui no Brasil só os pretos com camisa do Flamengo podem praticar atos de vandalismo racial. As praias cariocas têm cada vez mais diversões para os seus frequentadores. Além do frescobol, do “altinho”, do futevôlei, do beach tennis e do linchamento, também tem o arrastão. O arrastão é um esporte de equipe radical que a Polícia Militar, como sempre, quer reprimir: a PM não admite concorrência. Para acabar com os arrastões praianos, a polícia vai usar gás de pimenta colorido para marcar os praticantes. A cor do spray vai ser branca, mas não tem nada a ver com racismo. Muito pelo contrário.    

Bem fez o Chico Buarque, que parou de cantar “Com Açúcar, com Afeto” para não ferir a sensibilidade das nutricionistas e agora só canta “Com Adoçante, com Afeto”. O compositor que mais foi fundo na alma e na anatomia femininas também anunciou que não vai cantar mais “Vai Passar” e “Vai Lavar”.  

Agamenon Mendes Pedreira é espírita de porco.

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