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Villas Bôas foi declarado "inválido" quando ainda era chefe do Exército

General ganhou direito à aposentadoria no ano passado, mas ato foi retroativo ao ano de 2018, no período em que comandava a coorporação
Villas Bôas foi declarado “inválido” quando ainda era chefe do Exército
Foto: Marcos Corrêa / PR/Divulgação

O general Eduardo Villas Bôas foi considerado “inválido” pelo Exército Brasileiro quando ainda estava no auge dentro da corporação. A portaria que o afastou de suas funções foi assinada no ano passado, mas tinha efeito retroativo a 2018, quando ele ainda era o comandante-geral das tropas.

No documento que o transferiu para a reserva, há a indicação de que o general “necessita de internação especializada e/ou assistência direta e permanente ao paciente e/ou cuidados permanentes de enfermagem”. O ex-militar possui Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença do sistema nervoso que enfraquece seus músculos e limita os movimentos, fazendo com que Villas Bôas viva em uma cadeira de rodas.

A papelada, assinada pelo general de brigada João Denison Maia Correia, garantiu o auxílio-invalidez a Villas Boas “a contar de 11 de dezembro de 2018”, além da isenção ao imposto de renda desde 2016, data em que foi diagnosticado com a doença. A revelação foi feita primeiramente pela Revista Piauí e confirmada por O Antagonista.

Nessa época, no entanto, o general estava na ativa, em seus últimos dias como Comandante-Geral do Exército brasileiro.  Ele só seria substituído apenas um mês depois pelo general Edson Leal Pujol.

O general nunca escondeu sua admiração pelo governo de Jair Bolsonaro e as críticas aos governos do PT: em 2018, ainda no cargo máximo, o militar escreveu uma mensagem direcionada ao Supremo Tribunal Federal (STF), um dia antes do julgamento de um habeas corpus de Lula na Lava Jato, dizendo que o Exército “compartilha anseio de repúdio à impunidade”.

Até o início deste ano, o presidente e alguns dos generais de seu gabinete visitavam o general, que mantém um think tank que ecoa parte da narrativa de Bolsonaro.

Villas Boas, mesmo com a saúde debilitada e com fala e movimentos comprometidos pela ELA, era assessor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, comandado por Heleno. Ele foi exonerado do cargo nesta terça-feira (21).

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