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Tabata Amaral e o petista aloprado

Em 2021, a parlamentar mudou de partido e foi alvo de uma agressão nojenta do ator José de Abreu, aquele outro cuspidor do PT
Tabata Amaral e o petista aloprado
Foto: Alexandre Amarante/PDT na Câmara

Tabata Amaral se manteve indigesta para alguns setores da esquerda brasileira em 2021. A parlamentar passou a ser mal vista quando votou a favor da reforma da previdência, em 2019.

O episódio gerou uma crise dentro de seu então partido, o PDT, que chegou a afastá-la de suas atividades partidárias. Desde então, a relação entre eles nunca foi das melhores.

Em maio de 2021, o TSE decidiu que Tabata poderia deixar o PDT sem perder seu mandato. Os ministros entenderam que houve discriminação do partido com a deputada e que isso poderia ser considerado justa causa para a desfiliação.

Mais tarde, em setembro, a parlamentar viria a confirmar sua filiação ao PSB, partido de seu namorado e prefeito de Recife, João Campos.

Ao longo do ano, Tabata manteve sua postura crítica a Jair Bolsonaro. Ela defendeu o impeachment em diversas oportunidades, inclusive ao lado de figuras políticas com as quais não concordava totalmente.

Em 12 de setembro, a deputada foi à Paulista ao lado de integrantes do MBL e presidenciáveis da Terceira Via, para pedir a saída do presidente. O evento foi sabotado pelo PT e Tabata foi duramente criticada pela por participar dele.

A ira da velha esquerda contra a parlamentar teria seu momento mais nojento dias depois, com José de Abreu, petista aloprado. O ator compartilhou em uma rede social uma publicação com ameaças a ela:

Se eu encontro na rua, soco até ser preso.”

Após a repercussão negativa do compartilhamento, o ator foi mais uma vez para a rede social e ironizou seu “cancelamento“:

Vamos lá, galera, hoje é dia de cancelar o Zé de Abreu. Epa! Sou eu!”

José de Abreu teve que “pedir desculpas” (entre muitas aspas). Ele afirmou que Tabata “agiu de forma inteligente” ao “magnificar o erro” que ele cometeu.

Pode até servir para alertar, para denunciar algo fora de sentido. No meu caso, queria dizer algo assim, implicitamente: ‘Deputada, a senhora fala que eu lhe bato duro, mas olha isso aí!’.”

Em entrevista à Crusoé, Tabata Amaral criticou a reação de parte dos grupos de esquerda ao ataque que sofreu de José de Abreu.

Segundo Tabata, muitos dos que dizem “defender os direitos das mulheres” ficaram em silêncio diante do caso.

“Ele já cuspiu em uma mulher, me chamou de canalha, gravou um vídeo cheio de ataques contra mim. É um caso típico de um agressor de mulheres em redes sociais. Não é um caso isolado. Sem dúvida, é uma hipocrisia. Todo mundo que diz lutar pelos direitos das mulheres, contra a violência, e se silenciaendossa pessoas como ele e é conivente com o que acontece. Talvez esteja mais clara a hipocrisia da esquerda neste momento, mas o machismo é a coisa mais suprapartidária que existe na política.”

José de Abreu não é um, mas uma legião, como constatou a deputada.

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