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O sonho de Mandetta fica mais distante

O ex-ministro chegou a obter do DEM o aval para trabalhar em cima de sua possível candidatura, mas a fusão com o PSL dificultou ainda mais as coisas para ele
O sonho de Mandetta fica mais distante
Foto: Isac Nóbrega/PR

O sonho de ser presidente da República ficou mais distante para Luiz Henrique Mandetta em 2021.

Mandetta começou o ano dando continuidade à sua sequência de encontros com presidenciáveis que pudessem fazer frente a Jair Bolsonaro e Lula em 2022, como Sergio Moro, Luciano Huck e João Amoêdo.

No entanto, o seu partido, o DEM, não deixava claro qual caminho seguiria, apesar do aval dado a Mandetta para que trabalhasse em cima de uma possível candidatura. ACM Neto, presidente da legenda, flertava com Bolsonaro.

Esse flerte ficou evidente durante a eleição para a presidência da Câmara. Na ocasião, o DEM, que apoiava o candidato de Rodrigo Maia, Baleia Rossi, declarou, de última hora, sua neutralidade no pleito, beneficiando o candidato do presidente, Arthur Lira, que foi eleito.

O episódio foi considerado uma traição por Maia e seus aliados. Mandetta ficou irritado e deu uma série de declarações criticando a dubiedade de ACM. O ex-ministro chamou o presidente de seu partido de “maria mole”.

Mandetta chegou a cogitar deixar o DEM. Em conversas, ACM conseguiu dissuadi-lo da ideia. O presidente do partido até liberou que Mandetta começasse a trabalhar em torno do “Mandetta 2022”. Apesar disso, não houve garantia de fidelidade ao projeto.

Em março, em mais uma sinalização de alinhamento entre os possíveis nomes da terceira via, Mandetta divulgou um manifesto, em conjunto com João Doria, Eduardo Leite, Ciro Gomes, João Amoêdo e Luciano Huck, contra as ameaças de Jair Bolsonaro à democracia.

Na época, o presidente sugeria diariamente que poderia dar um golpe de estado, para acabar com as medias restritivas impostas pelos governadores, e chamava o Exército de “meu Exército”. Mas a CPI da Covid ajudou a detê-lo.

Mandetta foi o primeiro convocado a depor, em maio. Aos senadores, o ex-ministro detalhou o negacionismo de Jair Bolsonaro e disse que o presidente acreditava que o coronavírus era uma arma biológica chinesa.

Segundo Mandetta, as reuniões ministeriais para discutir a Covid contavam com presenças estranhas ao tema, como a de Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro.

O ex-ministro ainda disse que o governo tentou mudar a bula da cloroquina, para incluir o tratamento da doença. A possibilidade teria sido sugerida pela oncologista Nise Yamaguchi, mas foi descartada de imediato pelo presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres.

Em outubro, houve a fusão entre DEM e PSL, que formaram a União Brasil. No novo partido, que se tornou o maior do país, Mandetta viu sua candidatura ficar ainda mais incerta. O presidente da nova legenda, Luciano Bivar, tentou lançar o seu próprio nome ao Planalto e afirmou que Mandetta sairia para o Legislativo — no que foi desmentido pelo ex-ministro.

Mandetta passou a cogitar a possibilidade de disputar uma vaga no Senado pelo Mato Grosso do Sul, mas não está descartada a possibilidade de ele ser o vice na chapa de Sergio Moro, se o ex-juiz da Lava Jato vier mesmo a ser apoiado pela União Brasil.

O presidente da União Brasil, Luciano Bivar, chegou a anunciar a desistência de Mandetta da corrida presidencial. O ex-ministro negou.

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