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Setores do PT defendem que partido desista de vez de CPI contra Moro

A avaliação no partido é a de que o ex-juiz possa se beneficiar, caso as investigações não avancem na Câmara; assunto ainda será discutido entre deputados
Setores do PT defendem que partido desista de vez de CPI contra Moro
Foto: Adriano Machado/Crusoé e Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Integrantes do PT diretamente ligados à campanha de Lula (foto, à direita) têm defendido que o partido desista de instaurar uma CPI para investigar a atuação do ex-juiz Sergio Moro (foto, à esquerda) na iniciativa privada.

Como noticiamos, a ideia, capitaneada pelo secretário-geral do PT, deputado Paulo Teixeira (SP), teria o apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI).

Os movimentos nos bastidores começaram depois que o TCU não conseguiu acesso à remuneração paga pela consultoria americana Alvarez & Marsal a Moro, durante os 10 meses em que o ex-juiz lá trabalhou, depois de ter deixado o governo Bolsonaro. O tribunal não tem jurisdição sobre contratos privados sem o envolvimento de recursos públicos.

O problema é que, em conversas com aliados, Lula e a cúpula do PT avaliaram que não seria útil para o petista “polarizar com Moro”.

O receio da ala mais pragmática do PT é o de que Moro saia “mais fortalecido” de uma CPI, caso não sejam encontradas provas substanciais na investigação envolvendo o ex-juiz.

“É um jogo arriscado. Se encontrarem algo [contra Moro], é ‘bala de prata’. Caso contrário, ele pode virar a narrativa e passa a ser um player competitivo”, disse um petista que acompanhou essas conversas nos últimos dias. “Além disso, não interessa a Lula polarizar com Moro. E isso acabaria ocorrendo na CPI”, acrescentou o aliado do ex-presidente.

O PT também detectou que, nas redes sociais, começou a ser instituída uma narrativa de que lulistas e bolsonaristas estavam trabalhando contra Moro, o que poderia comprometer o esforço de Lula em compor com outros partidos já no primeiro turno.

O tema, contudo, ainda será alvo de conversas na bancada do PT na Câmara na semana que vem, quando o recesso parlamentar chegará ao fim. Enquanto não há decisão definitiva, o deputado Paulo Teixeira pediu uma análise técnica da Câmara sobre a viabilidade da investigação, já que há dúvidas se os deputados podem investigar contratos de natureza privada firmados por ex-agentes públicos.

Em entrevista ao UOL, como registramos mais cedo, Gleisi Hoffmann, presidente do PT, disse que “não vê necessidade” na CPI. A deputada sabe que há um entrave jurídico para a instalação do colegiado. Sergio Moro disse hoje que “o PT percebeu que a CPI contra mim seria tiro no pé”.

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