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Sergio Moro, o candidato da Terceira Via

O ex-juiz entrou para a política: "Chega de corrupção, chega de mensalão, chega de petrolão, chega de rachadinha"
Sergio Moro, o candidato da Terceira Via
Foto: Daniel Medeiros/O Antagonista

Em 2021, Sergio Moro entrou para a política. Depois de apanhar durante mais de um ano de bolsonaristas, petistas, jornalistas, do STF e de parlamentares, o ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública assinou sua filiação ao Podemos, com o objetivo de ser o candidato da Terceira Via na disputa presidencial de 2022.

Moro começou 2021 na iniciativa privada, prestando serviços de compliance para a Alvarez & Marsal, em Washington, nos Estados Unidos. O ex-juiz mantinha conversas ainda muito reservadas com outros possíveis candidatos ao Planalto, como Luiz Henrique Mandetta e João Amoêdo. Ele prometia tomar uma decisão sobre seu futuro até outubro.

Enquanto isso, o sistema dava continuidade ao processo de destruição da Lava Jato e dos mecanismos de combate à corrupção. O PGR, Augusto Aras, anunciou, em fevereiro, o fim do modelo de forças tarefas, que obteve sucesso na operação.

Os grupos de trabalho foram substituídos por um modelo com procuradores sem dedicação exclusiva aos casos e equipe reduzida. A decisão foi duramente criticada por integrantes do MP.

O STF, por sua vez, dava continuidade à sua série de decisões que beneficiaram os condenados na Lava Jato. Ricardo Lewandowski permitiu, em fevereiro, que a defesa de Lula tivesse acesso a todas as mensagens roubadas da operação, que continham conversas entre procuradores e Sergio Moro.

A decisão fez com que as defesas de diversos condenados também solicitassem o acesso ao material.

O clima de vingança contra a Lava Jato era tanto que o presidente do STJ, Humberto Martins, criou um inquérito de ofício, nos moldes do inquérito das fake news, ou do fim do mundo, para investigar ex-integrantes da operação. A medida acabou sendo suspensa por Rosa Weber.

Nesse contexto de caça às bruxas, Luiz Edson Fachin determinou, em decisão liminar, a anulação das condenações de Lula na Lava Jato. O ministro entendeu que a 13ª Vara Federal de Curitiba, comandada por Moro, era incompetente para julgar o caso do petista, que, segundo ele, não tinha ligação direta com a Petrobras.

Fachin citou uma série de decisões recentes do Supremo no sentido de diminuir a competência da vara, como a que retirou de seu alcance os casos ligados à Transpetro. A anulação das condenações contrariou um entendimento de 2016 do próprio Supremo, que determinou que a 13ª Vara era competente para analisar o caso de Lula. Fachin queria, assim, evitar que Sergio Moro fosse considerado suspeito. Foi um erro de cálculo.

Dias depois, o plenário da Corte confirmou a decisão de Fachin, tornando Lula elegível novamente. O petista, como não poderia deixar de ser, passou a mentir diariamente sobre a decisão, alegando que a Corte havia reconhecido sua inocência.

O ex-presidiário também se sentiu ainda mais livre para atacar Moro e a Lava Jato.

Como era previsível, Gilmar Mendes achou que seria um bom momento para devolver à Segunda Turma do Supremo o julgamento sobre a parcialidade de Moro no caso do tríplex. O ministro estava sentado sobre a ação apresentada pela defesa do petista desde 2018, quando pediu vista.

Ele aguardava pelas condições ideais para garantir que Moro fosse considerado suspeito.

Em abril, depois de um pedido de vista de Kassio, a Segunda Turma reconheceu que o juiz foi parcial. No julgamento, Gilmar e Lewandowski fizeram verdadeiros comícios políticos, atacando o ex-juiz e os procuradores e citando, diversas vezes, as mensagens roubadas da Lava Jato, ainda que elas não pudessem ser usadas como provas. Citaram-nas como “reforço argumentativo”,

Livre de uma vez, o ex-condenado Lula disparou nas pesquisas eleitorais, à medida que Jair Bolsonaro continuava a atentar contra a saúde pública em meio à pandemia. A terceira via parecia cada vez mais fragmentada e improvável, com poucos possíveis candidatos dispostos a abrir mão de suas candidaturas.

Moro continuava indeciso sobre seu futuro. O ex-juiz demonstrava uma maior afinidade com o PodemosAlvaro Dias garantiu a O Antagonista, em junho, que, se o ex-juiz de fato entrasse para a política, ele se filiaria ao partido.

Depois de aprovar uma nova Lei de Improbidade, que dificultava a responsabilização de agentes públicos por seus crimes, o presidente da Câmara quase conseguiu aprovar a PEC da Vingança, que aumentava a interferência política sobre o Ministério Público por meio do CNMP e facilitava punições a procuradores e promotores. Com a Lava Jato sob ataques demolidores, e a inviabilização de que outra operação semelhante pudesse repetir-se para combater a corrupção, Moro veio ao Brasil para ter conversas presenciais com lideranças políticas e definir o seu futuro. O ex-juiz se reuniu com integrantes de diversos partidos e empresários.

Quando estava prestes a tomar sua decisão, o ex-coordenador da força tarefa da Lava Jato Deltan Dallagnol, anunciou a sua saída do Ministério Público. O procurador deve disputar uma vaga na Câmara dos Deputados no ano que vem, pelo Podemos.

No início de novembro, Moro finalmente anunciou que se filiaria ao Podemos. Em uma cerimônia em Brasília, ele fez um discurso firme para centenas de políticos e jornalistas, colocando-se à disposição para disputar as eleições presidenciais.

O ex-juiz fez um contraponto aos escândalos de corrupção petistas e bolsonaristas:

Chega de corrupção, chega de mensalão, chega de petrolão, chega de rachadinha. Chega de querer levar vantagem em tudo e enganar a população. Chega de orçamento secreto!”

Ao mesmo tempo, Moro defendeu a abertura econômica, o combate à inflação e a necessidade de lutar contra a fome.

Ele termina o ano já com dois dígitos em algumas pesquisas eleitoras de primeiro turno e bem posicionado nas de segundo, para desespero de Lula e Jair Bolsonaro — e desenvoltíssimo no papel de político. A menos que haja surpresas no meio do caminho, Moro já é o candidato da Terceira Via.

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