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Roberto Jefferson, o mensaleiro das fake news

O deputado que virou bolsonarista atacou o Supremo como pôde em 2021, provocou a ira de Alexandre de Moraes e conseguiu ser preso
Roberto Jefferson, o mensaleiro das fake news
Foto: Weleson Nascimento/Fotos Públicas

Em 2021, o leão do Twitter Roberto Jefferson elevou a um novo patamar suas ameaças ao Supremo e conseguiu ser preso. O collorista que virou mensaleiro que virou bolsonarista já estava na mira de Alexandre de Moraes desde 2020 e foi chefe de torcida do jogo golpista de Jair Bolsonaro ao longo de todo o ano.

Jefferson fez tudo de para provocar o Supremo, não no sentido legal do termo. Depois que Daniel Silveira foi preso, em fevereiro, por ordem de Moraes, o ex-mensaleiro foi até o presídio de Bangu 8, para anunciar a filiação do deputado ao seu partido, o PTB.

Em março, quando Luiz Edson Fachin anulou as condenações de Lula na Lava Jato, Jefferson foi para cima do Supremo mais uma vez, pedindo o impeachment do ministro, dando a deixa para que Bolsonaro passou a defender que pedidos de impeachment contra outros integrantes da Corte fossem apreciados, como os de Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. Jefferson, é claro, embarcou na ideia.

O presidente do PTB, que defendia que o presidente se filiasse ao partido, também acompanhou Bolsonaro nas alopragens que resultaram na demissão conjunta dos comandantes das Forças Armadas.

Com as baterias voltadas para Jefferson, Moraes avançou com as investigações. O ministro apurava se ele havia usado recursos do fundo partidário para divulgar notícias falsas. Existia a suspeita de recebimento de repasses no valor total de R$ 1,3 milhão.

Jefferson aderiu, obviamente, à aposta da implementação do voto impresso e, como não poderia deixar de ser, pediu o impeachment do presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, que, segundo ele, utilizava-se do cargo que ocupa para descredibilizar a proposta.

À medida que Bolsonaro radicalizava seu discurso, afirmando que houve fraude nas eleições de 2018 e condicionando o pleito de 2022 à implementação do voto impresso, Jefferson continuava a ofender ministros do Supremo.

O presidente prometia “enquadrar” a Corte na manifestação marcada para 7 de Setembro. Afirmava que o presidente deveria aproveitar a data para fechar o STF e dizia, que Moraes era advogado do PCC.

O ministro determinou a prisão preventiva de Jefferson no início de agosto. Jefferson foi acusado de integrar uma “organização criminosa digital” montada para ataques à democracia.

No pedido de prisão, Moraes citou fortes indícios de materialidade de calúnia, difamação, injúria, incitação ao crime, apologia ao crime, associação criminosa, denunciação caluniosa e crimes previstos na Lei de Segurança Nacional.

Enquanto a Polícia Federal se dirigia à sua casa, Jefferson continuou seus ataques a Moraes no Twitter e em áudios de WhatsApp enviados a membros do PTB.

Em um deles, o ex-deputado falou na existência de um “mensalão chinês” para comprar o STF. Em outro ameaçou Moraes, dizendo que iria resolver seus problemas com o ministro pessoalmente.

Dias depois, a PGR denunciou Jefferson por incitação ao crime e homofobia.

Na cadeia, o quadro de saúde dele, que já era frágil, piorou. Ele teve uma infecção nos rins e pediu transferência para um hospital. A sua defesa passou a pedir que ele tivesse o direito a prisão domiciliar, alegando que ele corria risco de vida.

Internado, Jefferson manteve seus ataques a Moraes, que chamou de “cachorro feroz do Supremo”.

Em uma carta escrita em Bangu, Jefferson anunciou o rompimento com Bolsonaro, dizendo que o presidente estava “andando com lobos”, em referência aos caciques do Centrão (como Jefferson não fizesse parte dessa turma adorável), e estava se tornando cada vez mais parecido com eles.

O mensaleiro também insinuou que poderia fazer uma delação premiada sobre Bolsonaro.

Pouco depois, em novembro, Bolsonaro acertou sua ida para o PL.

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