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Salles, o homem que é uma brasa, mora

Ele começou o ano bombardeado como ministro do Desmatamento e terminou 2021 como comentarista -- e atacando Sergio Moro
Salles, o homem que é uma brasa, mora
Foto: Carolina Antunes/PR

Em 2021, o ministro do Desmatamento, Ricardo Salles brilhou como uma chama.

Diante do desastre ambiental provocada pelo governo, com uma alta de mais de 12% nas queimadas em 2020, o Brasil começou 2021 sob intensas críticas de governos estrangeiros e ambientalistas.

Bolsonaro e Salles foram alvos de uma série de campanhas internacionais em defesa da Amazônia.

Às vésperas da Cúpula do Clima, o presidente brasileiro decidiu enviar uma carta a Joe Biden, pedindo recursos para serem usados contra o desmatamento ilegal e se comprometendo a acabar com a prática até 2030.

Celebridades brasileiras e americanas divulgaram um manifesto pedindo que Biden não aceitasse o acordo com o Brasil de Bolsonaro e Salles. Entre os signatários, estavam Leonardo Di Caprio, Katy Perry, Gilberto Gil, Joaquin Phoenix e Mark Ruffalo.

A carta de Bolsonaro não foi levada a sério pelos Estados Unidos, que cobraram ações concretas.

O então ministro do Meio Ambiente conseguiu ser criticado até pela cantora Anitta, com quem também se envolveu em uma discussão nas redes sociais. A hashtag #ForaSalles ganhava cada vez mais força nas redes sociais.

Em abril, o então superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva, apresentou uma notícia-crime contra o ministro. O delegado acusou Salles por crimes ambientais, advocacia administrativa e organização criminosa.

O ministro defendia que a madeira ilegal apreendida pela Operação Handroanthus, realizada pela PF em dezembro de 2020, fosse liberada. Na ocasião, mais de 226 mil metros cúbicos de madeira foram apreendidos, material estimado em R$ 129 milhões.

Salles chegou a viajar ao Pará para tentar conseguir a liberação. Durante um voo com a imprensa em um avião da FAB, o então ministro alegou que a madeira havia sido apreendida de maneira legal e cobrou que a PF analisasse o caso com velocidade.

Segundo Saraiva, Salles atuou ao lado do senador Telmário Mota e do então presidente do Ibama, Eduardo Bin, para beneficiar os empresários que foram alvos da PF na operação.

Dias depois da notícia-crime, o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino, decidiu remover Saraiva do posto de superintendente no Amazonas. O delegado foi transferido para Volta Redonda, em clara retaliação política.

Em entrevista a uma rádio, Salles afirmou que tentou conseguir a liberação da madeira ilegal a pedido de sete parlamentares. O então ministro disse que foi procurado pelos senadores Jorginho Mello (Pros-RR), Zequinha Marinho (PSC-PA) e Mecias de Jesus (Republicanos-RR) e pela deputada Caroline de Toni (PSL-SC).

No início de maio, a juíza federal Mara Elisa Andrade, da 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária do Amazonas, determinou que a Polícia Federal devolvesse parte da madeira ilegal apreendida.

Dias depois, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal cumprisse mandados de busca e apreensão contra Salles, na operação batizada de Akuandaba. O então presidente do Ibama, Eduardo Bin, foi afastado.

A decisão ainda determinou a quebra dos sigilos fiscal e bancário de Salles.

Um relatório do Coaf que vazou na semana seguinte mostrou que o então ministro do Meio Ambiente realizou uma transação financeira suspeita de R$ 1,799 milhão depois que assumiu a pasta.

Para além do escândalo envolvendo o Meio Ambiente, a pressão sobre o governo de Jair Bolsonaro aumentava diariamente, à medida que avançavam as investigações da CPI.

Em junho, Ricardo Salles pediu demissão.

Em novembro, tornou-se comentarista da Rádio Jovem Pan. Estreou chamando Sergio Moro de comunista. Salles é uma brasa, mora.

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