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PL quer que Bolsonaro explore 'feitos' do governo e espere 'erros' de Lula

O Antagonista ouviu dois dos principais atores na campanha à reeleição: Sóstenes Cavalcante, da bancada evangélica, e Capitão Augusto, da 'bancada da bala'
PL quer que Bolsonaro explore feitos do governo e espere erros de Lula
Foto: Alan Santos/PR

Jair Bolsonaro melhorou seu desempenho nas pesquisas, mas ainda aparece atrás de Lula e perde para o petista em todos os levantamentos de segundo turno.

Para que o atual presidente tente encostar ou mesmo ultrapassar Lula antes de outubro, lideranças do PL acreditam que o Planalto precisa, antes de qualquer outra estratégia, “melhorar a comunicação”, nas palavras de Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da bancada evangélica.

“Eu entendo que o Bolsonaro tem que melhorar a comunicação dele e falar também para fora da bolha bolsonarista”, disse o deputado a O Antagonista.

O líder da chamada ‘bancada da bala’, deputado Capitão Augusto (PL-SP), concorda com o colega.

“Tem que divulgar melhor as ações do governo. Nem mesmo as pessoas que votam no Bolsonaro… se você pedir para elas citarem, sei lá, cinco coisas da Agricultura, da Educação ou da Saúde deste governo, elas não sabem. Então, antes de qualquer coisa, cada ministério precisa passar para o presidente as melhores coisas que fizeram.”

Por orientação de Ciro Nogueira, chefão do PP, e de Valdemar Costa Neto, chefão do PLcomo O Antagonista antecipou –, Bolsonaro tem diminuído a frequência de seus discursos mais agressivos e com potencial de polêmica — ou seja, tem calado a boca. Mas a turma que conhece o presidente de perto acha que, quando a campanha começar para valer, os donos do Centrão (e do governo) não poderão contar com isso.

“Eu acho que Bolsonaro não muda. Ele não vai mudar o tom coisa alguma. Ele simplesmente não tem estilo de ser mascarado. Então, esperar que o Bolsonaro mude? Eu não espero. O eleitor vai ter que escolher entre o padrão Lula e o estilão do Bolsonaro”, disse Sóstenes, dando como certo que a Terceira Via não vai conseguir sair do lugar.

Assim como o líder evangélico, Capitão Augusto acredita em segundo turno e diz que, no entender dele, em se confirmando uma disputa entre Lula e Bolsonaro, “o antipetismo vai falar mais alto de novo”.

“As pesquisas de hoje ainda estão muito contaminadas. O antipetismo ainda é muito mais forte e vai falar mais alto de novo. Essas bandeiras que o PT e a esquerda pregam, envolvendo aborto e segurança pública, por exemplo, não encontram eco na sociedade brasileira. Na hora em que começar a comparar os dois para valer, não tem como o Lula ganhar.”

No entorno de Bolsonaro — e igualmente entre petistas –, há a convicção de que, com o início da pré-campanha, Lula se desgastará mais que o atual presidente. É justamente por isso que a melhora de Bolsonaro nas pesquisas neste momento preocupou tanto o PT e seus aliados.

“Hoje, todos os canhões estão voltados para o Bolsonaro. E é natural: ele tem a máquina na mão. Mas, na campanha, o Lula vai começar a apanhar mesmo. Agora, ninguém está batendo no Lula, nem mesmo o Bolsonaro está batendo nele direito”, afirmou Capitão Augusto.

Além de “continuar contando com os erros do Lula”, Bolsonaro deverá, na opinião de Sóstenes, “usar a máquina” a seu favor e explorar o que o deputado chamou de “ajustes na área econômica”.

“O dólar precisa continuar caindo; teve essa iniciativa de reduzir a tarifa de energia… esses ajustes na área econômica dão alguma melhoria nos preços ao consumidor e, com certeza, favorecem [o Bolsonaro]”, disse o deputado. Para muitos especialistas em direito eleitoral, o nome disso é abuso de poder econômico.

Capitão Augusto também considera que ações econômicas precisarão ser prioridade para que Bolsonaro possa ultrapassar Lula. “Hoje, o eleitor ainda desconta no Bolsonaro a raiva pelo preço da gasolina e dos alimentos”.

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