Assine
Acesse
Acesse o Antagonista+ Acesse a Crusoé

O tortuoso caminho do 'rei Arthur'

Como uma possível vitória de Lula e o fortalecimento de outros grupos políticos fora do 'Centrão raiz' podem dificultar os planos do presidente da Câmara
O tortuoso caminho do rei Arthur
Foto: Adriano Machado/Crusoé

Arthur Lira (foto), se for reeleito deputado federal por Alagoas, vai querer, claro, se reeleger também como presidente da Câmara no ano que vem, independentemente de quem assumir o Planalto.

Geralmente, o tamanho das bancadas facilita ou não o caminho de quem quer chegar ao topo da Câmara — ou, no caso, se manter lá. Atualmente, o PP, partido de Lira, tem 42 deputados: é a quarta maior bancada federal, atrás de PL (43), PT (53) e PSL (55).

No ano passado, o deputado alagoano, com o apoio de Jair Bolsonaro, montou um blocão e derrotou com facilidade o grupo de Rodrigo Maia, quem sempre quis derrotar. Depois, colocou a mão no orçamento secreto e virou “o pai” das chamadas emendas de relator.

Em 2023, quando, em fevereiro, os deputados vão participar de nova eleição interna, o cenário para Lira será mais desafiador.

O PP, comandado pelo ex-lulista e ex-dilmista Ciro Nogueira, o senador licenciado do Piauí que assumiu a Casa Civil do governo Bolsonaro, não vai compor federação alguma. Um partido que tem bolsonaristas e lulistas com a mesma intensidade não conseguiria se aliar formalmente a nenhuma outra legenda por, no mínimo, quatro anos. Em voo solo, portanto, o PP corre o risco de perder alguma força como grupo político na Câmara.

A federação com partidos de esquerdaPT, PSB, PCdoB e PV –, se realmente vingar, tem potencial de formar um grupo consistente com pelo menos 120 deputados no ano que vem. No centro, MDB, PSDB, Cidadania e União Brasil (partido resultante da fusão do PSL com o DEM) também cogitam federação. Cada um desses dois blocos, a depender do tamanho real deles após as eleições de outubro, provavelmente terão algum nome para enfrentar o hoje todo-poderoso Lira.

Leia também: “O rei Arthur”

Se voltar ao poder, Lula, que lidera todas as pesquisas de intenção de voto até aqui, certamente fará de tudo para ter um aliado na Presidência da Câmara — ainda que isso não elimine completamente a chance de apoio ao próprio Lira, hoje bolsonarista por conveniência.

Pelo menos em tese, portanto, em razão destes possíveis cenários — 1) outros blocos partidários tão fortes quanto o ‘Centrão raiz’; 2) e sem o apoio garantido do Executivo –, Lira não teria, em 2023, o mesmo senhorio para buscar a reeleição.

“A gente sabe que, nesse contexto, quem não formar federação corre algum risco de ficar menor. Mas Lira e Ciro não têm falado disso conosco. Compormos uma federação é algo impossível. Não há a menor condição de isso acontecer. O Ciro vai fazer o jogo de sempre, como tem feito a vida inteira, e cada estado vai tomar seu rumo”, disse, em reservado, um parlamentar do PP.

Para um outro parlamentar da sigla, “a vontade de deixar o Arthur [Lira] pequeno” também está na mesa de negociação dos outros partidos. “As federações, obviamente, estão sendo costuradas pensando na próxima legislatura, e não no quadro de hoje”.

Aliados fazem questão de ponderar que, mesmo em se confirmando o enfraquecimento do alagoano na comparação com a eleição do ano passado, que o alçou ao comando da Câmara pela primeira vez, Lira continuará sendo Lira: sedento por mais poder e em condições de jogar.

“Se o Arthur ficar solto, é claro que isso torna mais complicado o plano da reeleição. Mas é o Arthur, né? Um presidente da Câmara que ganhou muito poder com os colegas operando o orçamento secreto”, afirmou um deputado do PP em seu terceiro mandato.

Uma liderança política de outra legenda, porém, disse o seguinte: “Uma coisa é operar o orçamento secreto tendo o Executivo como parceiro. Hoje é automático e quem aperta os botões das emendas solicitadas por Arthur são dois aliados dele no Planalto: a Flávia [Arruda, ministra da Secretaria de Governo] e o Ciro [Nogueira, ministro da Casa Civil]. Sem o apoio do Executivo, seria outra coisa. E você acha que o Lula deixaria o orçamento secreto na mão do Arthur?”.

Leia também: STF forma maioria para rejeitar denúncia contra Arthur Lira na Lava Jato

Mais notícias
Comentários desabilitados para este post
TOPO
×
Oferecimento....