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Na eleição, olhe para a frente

Se o PT é um cometa destruidor e o centrobolsonarismo é um abismo, olhe adiante e escolha um caminho que não leve ao desastre
Na eleição, olhe para a frente
Foto: Clauber Cleber Caetano/PR

Ciro Nogueira (foto), o procurador do Centrão no Palácio do Planalto, publicou neste domingo um artigo no jornal “O Globo”, em que diz várias verdades sobre os planos econômicos do PT e várias mentiras sobre o desempenho econômico do governo Bolsonaro.

As verdades e as mentiras explicam porque é preciso impedir o retorno ao poder de Lula, o maior corruptor da história do Brasil, e de Bolsonaro, a figura mais desumana, mais perigosa e mais incompetente que já ocupou a presidência.

Ciro Nogueira não inventa nada sobre as intenções de Lula, caso ele conquiste um novo mandato. Ele apenas repete aquilo que o candidato petista, a presidente do PT e aqueles que pensam a economia nos institutos ligados à legenda vêm dizendo em público: haverá revogação da reforma trabalhista, revogação do teto de gastos e tentativa de reestatizar o que foi privatizado. 

É importante desembrulhar cada uma dessas expressões. Quando o PT fala em revogar a reforma trabalhista, sua maior preocupação é reviver os sindicatos que ele sempre utilizou como massa de manobra; quando fala em revogar o teto de gastos, a intenção é bancar projetos populistas que a história já provou milhões de vezes que não criam desenvolvimento sustentável, mas ajudam quem está no governo a ganhar as eleições seguintes; quando fala em reestatização, o propósito não é melhorar os serviços públicos ou dinamizar a economia, é aparelhar o estado

A contabilidade criativa começa quando Ciro Nogueira faz o balanço dos últimos três anos. 

Sua premissa é a seguinte: tudo que deu errado na economia brasileira sob Bolsonaro se deve à pandemia. Então tá. 

Mesmo quando se leva em conta um cenário mundial desfavorável, o governo Bolsonaro deixou de fazer o que estava ao seu alcance, ou tomou as decisões erradas na economia. Mais ainda, ele errou ou se omitiu primeiro com apoio, e depois pura e simplesmente tutelado, das saúvas do Centrão, tão bem representadas por Ciro Nogueira. 

O ano inteiro de 2021 transcorreu sob o signo da dúvida a respeito da manutenção do teto de gastos. As piores expectativas se confirmaram no final, com a explosão do teto e o calote dos precatórios. Mas a mera incerteza já havia desencadeado aquela sequência de acontecimentos tão bem conhecida: os dólares fugiram do Brasil; com escassez de dólares, o câmbio cresceu; com o câmbio alto, todas as commodities ficaram mais caras, fossem combustíveis ou alimentos; a inflação acelerou.

Ciro Nogueira diz que “comparar o desempenho econômico do Brasil ou de qualquer país do mundo com o próprio Brasil fora dessa circunstância [ou seja, a pandemia] é desonesto.” Então vamos fazer a comparação do jeito que Ciro quer:  a inflação brasileira, que fechou o ano em 10,06%, foi a terceira pior entre as 20 maiores economias do mundo, que também sofreram com a Covid. 

Por causa dessa inflação, a taxa de juros que havia caído (chegou a ser “a menor da história recente”, conforme se vangloria Ciro Nogueira) está nas alturas de novo e deve passar boa parte deste ano acima dos dois dígitos.  

Quanto ao crescimento econômico, segundo a OCDE, o Brasil teve retração maior que a média global em 2020, cresceu menos que o mundo em 2021 e deverá ter um 2022 igualmente fracassado. 

Nogueira afirma que no dia seguinte à eleição, caso Bolsonaro vença, teremos “o teto de gastos, o equilíbrio fiscal, as reformas que ele já provou ser capaz de fazer e endossa”.

Acreditem se quiserem as polianas do bolsonarismo. O cenário mais provável é este: assim como Bolsonaro só pensou na reeleição desde o primeiro segundo do seu governo, o Centrão só pensaria em como encaixar um novo fantoche na Presidência em 2026, e esse objetivo não combina com responsabilidade fiscal e reformas difíceis. 

Em seu artigo, o procurador do Centrão no Palácio do Planalto sugere que o eleitor olhe para cima e enxergue o cometa destruidor que seria o PT. Muito bem. Eu sugiro que o eleitor também olhe para baixo e evite cair no abismo do “centrobolsonarismo”. Depois disso, olhe finalmente para a frente e escolha um caminho que não leve ao desastre

 

 

 

 

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