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Milton Ribeiro, um ministro trapalhão

O pastor que, teoricamente, está no comando da Educação brilhou em 2021 com um declaração sobre estudantes com deficiência e confusões em torno do Enem
Milton Ribeiro, um ministro trapalhão
Foto: PR

Em 2021, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, demonstrou ser um homem bastante sensível, com uma fala preconceituosa sobre pessoas com deficiência. A mesma sensibilidade, aliás, que levou o governo a ser condenado em maio, pela Justiça Federal de São Paulo, a pagar 200 mil reais por danos morais, depois que o ministro associou, no ano passado, homossexualidade a famílias desajustadas. Mas Ribeiro não é apenas um homem sensível.

Depois de paralisações estudantis por causa da pandemia, o Inep aplicou em janeiro a prova do Enem do ano passado, que havia sido adiada. Por causa dos números crescentes de novos casos e de mortes por Covid, o exame teve abstenção recorde de 51,5%. Dos 5,5 milhões que se inscreveram para a prova, apenas 2,8 compareceram.

Para Ribeiro, o índice foi uma consequência do “trabalho de mídia contrário” e ao “medo a respeito da contaminação”Meses depois, o ministro viria a afirmar que o MEC jogou R$ 300 milhões “no lixo”, devido aos alunos que não compareceram.

Em março, Jair Bolsonaro vetou um projeto aprovado no ano anterior que previa internet gratuita a estudantes durante a pandemia. O presidente afirmou que a proposta não apresentava estimativa de impacto orçamentário e financeiro e aumentaria a “a alta rigidez do orçamento”.

Como de costume, Ribeiro defendeu a decisão de Bolsonaro, reiterando os argumentos do presidente.

Em abril, o governo sancionou o Orçamento de 2021, com um corte de R$ 3,8 na Educação. Foram vetados R$ 1,1 bilhões inicialmente destinados à pasta e bloqueados outros R$ 2,7 bilhões.

Mais uma vez, Ribeiro apoiou a decisão de Bolsonaro. Segundo o ministro, o corte foi para “colocar comida no prato dos brasileiros”.

O ministério da Educação marcou o segundo Enem do ano para os dias 21 e 28 de novembro. Depois de dizer que gostaria de ter acesso ao conteúdo do exame, violando a independência do Inep, Ribeiro recuou em uma comissão da Câmara e disse que “abriria mão” de ler as questões previamente.

Ribeiro disse que pediu apenas um exame “técnico” e “sem ideologia”.

Durante o ano, o ministro intensificou sua defesa da volta às aulas presenciais. Em julho, ele afirmou que a reabertura das escolas havia se tornado “uma questão política”.

Ribeiro afirmava que seria impossível vacinar todos os alunos antes que eles retornassem às escolas, no que, convenhamos, ele tinha toda razão.

Em agosto, porém, ele atingiu o seu máximo: durante uma entrevista à TV Brasil, o ministro disse que alunos com deficiência “atrapalham” os demais.

“O que é inclusivismo? A criança com deficiência é colocada dentro de uma sala de alunos sem deficiência. Ela não aprendia, ela ‘atrapalhava’.” 

Na mesma semana, o ministro também afirmou que o acesso à universidade não deveria ser para todos.

As declarações irritaram parlamentares, e Ribeiro foi chamado ao Senado para explicar o que dissera sobre deficientes. O ministro pediu desculpas e afirmou que cometeu “um grande erro”.

A cerca de duas semanas do Enem, dois coordenadores do Inep pediram demissão, assim como diversos servidores do órgão. Seus cargos eram diretamente ligados à aplicação da prova. Na véspera dos pedidos de exoneração, uma assembleia de servidores do órgão apontou o risco de prejuízos durante o exame por “falta de comando técnico” da presidência do órgão.

Dias depois, 14 servidores do Inep pediram exoneração coletiva.

Jair Bolsonaro afirmou que a prova estava começando a “ter a cara do governo”.

Confusão armada, o Enem foi realizado: a prova teve Chico Buarque, Thomas Piketty e Admirável Gado Novo, de Zé Ramalho. Tudo como dantes no quartel do Ribeiro trapalhão.

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