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Mario Sabino na Crusoé: O barbeiro e as moiras

"Barbeiros tanto cortam cabelos e aparam barbas como desbastam problemas e aplanam ideias, que só voltam a crescer assim que pisamos fora"
Mario Sabino na Crusoé: O barbeiro e as moiras
Foto: Renzo Fedri/O Antagonista

Em sua coluna na Crusoé que foi ao ar nesta sexta-feira (27), Mario Sabino (foto) conta como uma visita ao barbeiro fez com que ele se lembrasse das moiras, as personagens da mitologia grega que fabricam, medem e cortam o fio da vida.

“Quando era criança, entre tantas personagens da mitologia grega que me foram apresentadas por Monteiro Lobato, fascinavam-me as três moiras (…). A primeira era Cloto, que fiava [o fio da vida]; a segunda, Láquesis, que estabelecia o seu tamanho; a terceira, Átropos, que o cortava e, assim, dava um fim à existência de cada homem.

Átropos esteve presente no meu último domingo.

Como faço a cada duas semanas, lá se vão 30 anos, vou ao barbeiro para cortar o cabelo que não tenho. Carecas são assim: cortam um cabelo inexistente, mas que insiste em encanecer lateralmente e avançar como penugem para o topo da cabeça. Eu poderia abrir uma barbearia na minha casa, tamanha a quantidade de maquininhas de que disponho, mas gosto de ir ao barbeiro. É um dos poucos momentos nos quais me permito não pensar em nada de preocupante ou muito complexo. Foi uma das coisas de que mais senti falta na pandemia. Barbeiros tanto cortam cabelos e aparam barbas como desbastam problemas e aplanam ideias, que só voltam a crescer assim que pisamos fora.”

LEIA AQUI a íntegra da coluna; assine a Crusoé e apoie o jornalismo independente.

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