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Mario Sabino na Crusoé: Não vai ter golpe, mas fazemos o jogo de Bolsonaro

Faríamos bem à democracia se não levássemos tão a sério as falas abiloladas do presidente; como levamos, ele aumenta o tom, porque sabe que vai reverberar
Mario Sabino na Crusoé: Não vai ter golpe, mas fazemos o jogo de Bolsonaro
Foto: Alan Santos/PR

Em artigo na Crusoé, aberto para os não assinantes da revista, Mario Sabino comenta como o sobressalto com o discurso de Jair Bolsonaro (foto) e a amplificação das suas declarações golpistas acaba por fazer o jogo do presidente.

“Não dá para entender o esforço que a imprensa e os tribunais superiores estão empreendendo para manter o discurso golpista de Jair Bolsonaro em evidência. (…) Faríamos bem à democracia brasileira se não levássemos tão a sério as falas abiloladas do presidente da República. Como levamos, Jair Bolsonaro aumenta o tom, porque sabe que tudo vai reverberar no noticiário. Não se trata de ignorar completamente o presidente da República, mas de dar a justa medida ao seu lero-lero. Estamos assustadiços, mas há outra questão que conta: se Donald Trump alavancou os números da imprensa nos Estados Unidos, Jair Bolsonaro ajuda um pouco a segurar a decadência geral no Brasil e, desse modo, todos nos sentimos obrigados a destacar tudo o que ele diz. Ao amplificar criticamente as suas besteiras, cevamos também os veículos bolsonaristas, que ganham relevância junto ao seu público cativo, no seu jogo de ganha-ganha contra a “extrema-imprensa”. Para não falar, é claro, que repercutir Jair Bolsonaro serve à manutenção do clima eleitoral favorável a Lula, o candidato de muitos jornalistas de grandes veículos. Ao fim e ao cabo (sem farda, por favor), há uma diferença entre a eterna vigilância, o preço da liberdade, e o eterno sobressalto, que pode se voltar contra ela.

O bolsonarismo também recebeu um empurrão do TSE, no seu ataque às urnas eletrônicas e consequente tentativa de deslegitimação do processo eleitoral brasileiro. O empurrão foi dado quando o tribunal convidou as Forças Armadas a integrar a Comissão de Transparência das Eleições. Isso abriu uma estrada para que fardados mal-intencionados ou simplesmente empavonados questionassem a segurança das votações — e para que Jair Bolsonaro tirasse da cachola a ideia absurda de a caserna fazer uma apuração paralela à do TSE, “para a gente confiar nas eleições” de outubro. Entendo que, ao convidar as Forças Armadas, a intenção do tribunal foi tentar neutralizar o discurso golpista —  e, naquele momento, até achei que era algo inteligente. Mas a coisa se mostrou um tiro no pé. Foi como promover um desfile de tanques fumacentos na frente do prédio do TSE.  A caserna deve ser mantida a muitos quilômetros de distância do processo eleitoral, porque ela não tem nada — absolutamente nada — a ver com isso.”

LEIA AQUI a íntegra do artigo; assine a Crusoé e apoie o jornalismo independente.

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