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Futuro vice de Bolsonaro defende o golpe de 1964

Em repeteco da ordem do dia divulgada em 2021, general Braga Netto afirma que deposição de presidente foi "marco histórico da evolução política brasileira"
Futuro vice de Bolsonaro defende o golpe de 1964
Foto: Alan Santos/PR

Provável vice na chapa em que Jair Bolsonaro disputará a reeleição, o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto (foto), divulgou nesta quinta (30) a ordem do dia para 31 de março, em que volta a defender o golpe militar de 1964.

Divulgada anualmente, a ordem do dia será lida nos quartéis nesta quinta-feira (31), como forma de relembrar o aniversário do golpe.

Repetindo basicamente as alegações da ordem do dia que divulgou em 2021, Braga Netto afirma no texto que “o Movimento de 31 de março de 1964” —que depôs um presidente legalmente eleito, João Goulart— “é um marco histórico da evolução política brasileira, pois refletiu os anseios e as aspirações da população da época”.

“Analisar e compreender um fato ocorrido há mais de meio século, com isenção e honestidade de propósito, requer o aprofundamento sobre o que a sociedade vivenciava naquele momento. A história não pode ser reescrita, em mero ato de revisionismo, sem a devida contextualização”, escreve o general.

O ministro da Defesa afirma ainda que, em março de 1964, toda a sociedade brasileira se mobilizou “para restabelecer a ordem e para impedir que um regime totalitário [o comunismo] fosse implantado no Brasil”.

E diz que, nos anos seguintes ao golpe militar, “a sociedade brasileira conduziu um período de estabilização, de segurança, de crescimento econômico e de amadurecimento político, que resultou no restabelecimento da paz no País”.

Leia abaixo a íntegra da ordem do dia de Braga Netto, também assinada pelos comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica:

***

“O Movimento de 31 de março de 1964 é um marco histórico da evolução política brasileira, pois refletiu os anseios e as aspirações da população da época.

Analisar e compreender um fato ocorrido há mais de meio século, com isenção e honestidade de propósito, requer o aprofundamento sobre o que a sociedade vivenciava naquele momento. A história não pode ser reescrita, em mero ato de revisionismo, sem a devida contextualização.

Neste ano, em que celebramos o Bicentenário da Independência, com o lema ‘Soberania é liberdade!’, somos convidados a recordar feitos e eventos importantes do processo de formação e de emancipação política do Brasil, que levou à afirmação da nossa soberania e à conformação das nossas fronteiras, assim como à posterior adoção do modelo republicano, que consolidou a nacionalidade brasileira.

O século XX foi marcado pelo avanço de ideologias totalitárias que passaram a constituir ameaças à democracia e à liberdade. A população brasileira rechaçou os ideais antidemocráticos da intentona comunista, em 1935, e as forças nazifascistas foram vencidas na Segunda Guerra Mundial, em 1945, com a relevante participação e o sacrifício de vidas de marinheiros, de soldados e de aviadores brasileiros nos campos de batalha do Atlântico e na Europa.

Ao final da guerra, a bipolarização global, que fez emergir a Guerra Fria, afetou todas as regiões do globo, o que trouxe ao Brasil um cenário de incertezas com grave instabilidade política, econômica e social, comprometendo a paz nacional.

Em março de 1964, as famílias, as igrejas, os empresários, os políticos, a imprensa, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), as Forças Armadas e a sociedade em geral aliaram-se, reagiram e mobilizaram-se nas ruas, para restabelecer a ordem e para impedir que um regime totalitário fosse implantado no Brasil, por grupos que propagavam promessas falaciosas, que, depois, fracassou em várias partes do mundo. Tudo isso pode ser comprovado pelos registros dos principais veículos de comunicação do período.

Nos anos seguintes ao dia 31 de março de 1964, a sociedade brasileira conduziu um período de estabilização, de segurança, de crescimento econômico e de amadurecimento político, que resultou no restabelecimento da paz no País, no fortalecimento da democracia, na ascensão do Brasil no concerto das nações e na aprovação da anistia ampla, geral e irrestrita pelo Congresso Nacional.

As instituições também se fortaleceram e as Forças Armadas acompanharam essa evolução, mantendo-se à altura da estatura geopolítica do País e observando, estritamente, o regramento constitucional, na defesa da Nação e no serviço ao seu verdadeiro soberano – o Povo brasileiro.

Cinquenta e oito anos passados, cabe-nos reconhecer o papel desempenhado por civis e por militares, que nos deixaram um legado de paz, de liberdade e de democracia, valores estes inegociáveis, cuja preservação demanda de todos os brasileiros o eterno compromisso com a lei, com a estabilidade institucional e com a vontade popular.

Walter Souza Braga Netto
Ministro de Estado da Defesa

Almir Garnier Santos
Almirante de Esquadra
Comandante da Marinha

Gen Ex Paulo Sérgio
Nogueira de Oliveira
Comandante do Exército

Ten Brig Ar Carlos de
Almeida Baptista Junior
Comandante da Aeronáutica”

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