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Eduardo Bolsonaro, o imunizado contra a verdade

Em 2021, o filho 03 do presidente manteve-se firme na divulgação de fake news e nos ataques à "imprensa mequetrefe"
Eduardo Bolsonaro, o imunizado contra a verdade
Foto: Adriano Machado/Crusoé

Eduardo Bolsonaro começou 2021 assistindo à tragédia que ajudou a construir. Nos últimos dias de 2020, o deputado defendeu os protestos favoráveis à reabertura do comércio em Manaus, apesar do aumento do número de mortos por Covid.

“Búzios e agora Manaus. Todo o poder emana do povo”, escreveu Eduardo no Twitter.

Nas semanas seguintes, a taxa de contaminação cresceu drasticamente e os hospitais da cidade ficaram lotados. Não havia mais oxigênio para os pacientes. Muitos morreram asfixiados.

Eduardo e outros bolsonaristas que defenderam o fim das medidas restritivas se eximiram de qualquer responsabilidade.

A postura do filho do presidente não mudou após o episódio. Em março, em uma live, ele reclamou de notícias sobre a necessidade do uso de máscaras de proteção e mandou que enfiassem o equipamento de proteção “no rabo”.

“Eu acho uma pena que essa imprensa mequetrefe que a gente tem aqui no Brasil fique dando conta de cobrir apenas a máscara. ‘Ah, a máscara, está sem máscara, está com máscara’. Enfia no rabo, gente, porra!”

Com a CPI instalada para investigar os crimes do governo federal durante a pandemia, Eduardo Bolsonaro fez uma série de ataques aos senadores da comissão.

O deputado disse que a decisão do ministro Luís Roberto Barroso de determinar a instalação do colegiado foi uma “esculhambação”. Segundo o filho do presidente, “os palhaços teriam inveja da CPI”.

O deputado embarcou calculadamente nas teses alopradas de Jair Bolsonaro de que as eleições de 2018 foram fraudadas e de que o TSE tinha um plano para manipular o pleito de 2022 e eleger Lula.

Em agosto, Eduardo tentou colher assinaturas para criar uma CPI para investigar as urnas eletrônicas, mas não conseguiu as 171 necessárias. “Eu não elejo todos os deputados do Congresso”, reclamou.

Depois de questionar a eficácia das vacinas durante o ano todo, Eduardo foi imunizado por Marcelo Queiroga ainda em agosto.

Cerca de um mês depois, o deputado viajou com a comitiva do pai para a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Ao voltar ao Brasil, Eduardo testou positivo para Covid.

Nas redes sociais, ele aproveitou para fazer novos ataques às vacinas e defender o tratamento precoce. Heloísa Bolsonaro, esposa de Eduardo, e Geórgia, a filha do casal, de 11 meses, também se infectaram.

Em depoimento à CPI, em setembro, o empresário Otávio Fakhoury confirmou que procurou Eduardo para criar uma rádio “para difundir ideias conservadoras”. Fakhoury também disse que ajudou a bancar o evento CPAC Brasil, liderado pelo filho do presidente.

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal e entregues à CPI mostram que Eduardo ajudou o blogueiro Allan dos Santos, investigado pela disseminação de fake news, a deixar o Brasil em 2020, diante do risco de ser preso.

O deputado pediu dados do passaporte de Allan e de sua família para que ele pudesse acompanhar o caso. O blogueiro fugiu do país cerca de um mês após a troca de mensagens.

No relatório final da CPI da Covid, Renan Calheiros pediu o indiciamento de Eduardo.

Renan imputou a ele o crime de infração sanitária. Segundo o relator, Eduardo e Carlos Bolsonaro participaram de um núcleo de divulgação de fake news ao longo da pandemia de Covid.

Foi um ótimo ano para o vulgo Bananinha.

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