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"É mera coincidência, porque colocamos a faca no pescoço do Lira, que tinha que pautar nossos assuntos"

Cezinha de Madureira nega "acordo", mas reconhece que, com o avanço da proposta da jogatina, cobrou do presidente da Câmara projetos da bancada evangélica
“É mera coincidência, porque colocamos a faca no pescoço do Lira, que tinha que pautar nossos assuntos”
Foto: Cláudio Basílio/PSD

O líder da bancada evangélica no Congresso, deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP), disse a O Antagonista que o fato de os projetos dos jogos de azar e da isenção de IPTU para igrejas alugadas estarem na pauta no mesmo dia é “mera coincidência”.

“É mera coincidência, porque colocamos a faca no pescoço do Lira, que tinha que pautar nossos assuntos.”

Há pouco (leia aqui), noticiamos que a bancada evangélica topou votar a proposta que legaliza os jogos de azar — eles prometem votar contra –, com a garantia de que também fosse votada a proposta para que a isenção de imposto para igrejas seja incluída na Constituição. Os dois temas estão na pauta de hoje no plenário da Câmara.

“Nós não fizemos nenhum acordo. A pauta é do Arthur Lira, ele pauta o que ele quiser. Nosso acordo é só para obstruir. Quem falou isso aí só está querendo denegrir a nossa imagem. Nós não vamos bater no Arthur Lira, porque ele é o presidente e tem que atender a todos. Agora, nós temos votos para derrubar [os jogos de azar]. Se ele decidiu pautar, ele tem que aceitar a nossa obstrução, ele não pode ficar bravo com a gente.”

Embora tenha negado “acordo” para votar as duas matérias em questão concomitantemente e fale em “mera coincidência”, Cezinha (foto) reconhece que, ao ser informado, pelo próprio Lira, de que o projeto da jogatina avançaria, cobrou do presidente da Câmara a apreciação também de matérias de interesse da bancada.

O deputado disse exatamente o seguinte:

“O que é que houve em uma reunião da bancada com mais de 60 parlamentares e o Arthur Lira? Ele disse: ‘Gente, eu tenho algumas pautas que eu preciso pautar, eu preciso atender toda a Câmara, e eu gostaria…’ E nos avisou que pautaria os jogos. Ele avisou, não pegou ninguém de surpresa. E nós avisamos para ele: ‘Nós somos contra, nós vamos votar contra e nós vamos obstruir’. É o que nós estamos fazendo.”

E emendou:

“O presidente Lira tem o compromisso com a bancada evangélica para votar vários projetos, que, desde o início do ano, não votou nenhum. [Arthur Lira] vem enrolando o ano inteiro e nós apertamos ele (sic): ‘Lira, precisa pautar as nossas matérias. Ano que vem é ano de eleição, não dá tempo’.”

Cezinha acrescentou que Lira tem compromisso de pautar não somente o projeto que trata da constitucionalização da isenção de IPTU dos templos alugados, mas outras propostas encampadas pelo grupo dos evangélicos, como 1) o projeto que prevê que remessas ao exterior e contribuição previdenciária não sejam taxadas; 2) o projeto que reforça a imunidade tributária dos templos e pretende evitar “interpretações divergentes” da Receita Federal; e 3) o projeto que institui a Lei Geral das Religiões, para, entre outras coisas, garantir aos evangélicos isonomia em relação ao estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil.

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