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"É fácil concluir que eu errei", diz Moro, sobre ser ministro de Bolsonaro

No livro "Contra o Sistema de Corrupção", o ex-juiz ataca também o autoritarismo do presidente e diz que "intervenção militar" nunca foi pauta da Lava Jato
“É fácil concluir que eu errei”, diz Moro, sobre ser ministro de Bolsonaro
Foto: Adriano Machado/Crusoé

Ao longo de todo o livro, por vezes, Sergio Moro deixa claro que se arrependeu de ter deixado a carreira de juiz para ingressar no governo de Jair Bolsonaro. Além de ter sido traído na pauta do combate à corrupção, o ex-ministro faz duras críticas às tendências autoritárias do presidente da República.

Moro lembra que, ainda em 2016, pediu a um grupo de ativistas, acampados em frente à Justiça Federal em Curitiba, que recolhessem uma faixa em defesa da intervenção militar, pauta que ele considerava “totalmente estranha à Lava Jato”.

O ex-juiz reconhece que o sucesso da operação havia despertado uma “enorme energia cívica”, e que, em 13 de março, daquele ano mais de 3 milhões de pessoas saíram às ruas, pacificamente, em apoio à luta anticorrupção.

O aparente fim da impunidade da grande corrupção prometia “uma era de lei e de Justiça, com perspectivas mais promissoras para as reformas estruturais tão necessárias para o avanço do Brasil”.

“Dois anos depois, teríamos uma eleição presidencial influenciada por toda essa energia cívica (…) mas essa pauta demandaria uma liderança política preparada, que soubesse aproveitar aquele contexto para, efetivamente, romper com as práticas viciadas no trato da coisa pública (…) a eleição, no entanto, não nos trouxe a liderança necessária.”

Bolsonaro foi o candidato errado na hora certa. Foi eleito por uma maioria inflamada com a expectativa de uma mudança real, e passou a governar para uma minoria radicalizada.

“Vendo retrospectivamente, os grupos que, nas manifestações de apoio à Lava Jato, eram absolutamente minoritários e defendiam a ‘intervenção militar’, acabaram tendo o seu candidato eleito. Embora equivocados, com uma pauta antidemocrática, prevaleceram por fim. E o candidato eleito, com o tempo, foi focalizando cada vez mais no discurso radical contra as instituições e abandonou de vez as ações e o discurso contra o sistema de corrupção e a cultura do patrimonialismo. Ao contrário, como se viu, o presidente retomou as mesmas alianças políticas que resultaram, no extremo, nos escândalos de corrupção do mensalão e do petrolão.”

E ainda:

“Claro que, agora que se tem ciência do que ocorreria no futuro – a falta do apoio do presidente à agenda anticorrupção, o surgimento do caso de Fabrício Queiroz ainda em dezembro de 2018, a falta de cumprimento da palavra do presidente quanto à ‘carta branca’ para nomeação de cargos, a aliança com políticos fisiológicos e acusados por corrupção na Lava Jato -, é fácil concluir que eu errei. Naquela época, no entanto, o conhecimento do futuro não estava à disposição. Sabedoria retrospectiva não vale.”

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