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“Deveríamos fazer o contrário de China e Itália”

“Deveríamos fazer o contrário de China e Itália”
Foto: Willian Moreira/Futura Press/Folhapress

Em entrevista a O Antagonista, disponível em vídeo, o Dr. Carlos Alberto de Barros Franco defendeu a tomada inicial de medidas restritivas duras no Brasil contra o avanço do coronavírus e que elas sejam relaxadas gradativamente conforme a avaliação do impacto e das estatísticas da pandemia no país.

Membro titular da Academia Nacional de Medicina, o pneumologista e professor da UFRJ enfatizou a “necessidade absoluta” de ser implementada de modo invertido a sequência habitual dos níveis nacionais de alerta: o nível 1 (que acarreta “cuidados básicos, de limpar mão com álcool gel e evitar contatos maiores”), 2 (“que são essas medidas que nós estamos vivendo agora”) e 3 (“que são as mais drásticas, de fechar não só as fronteiras com o exterior, mas fechar as fronteiras entre os diversos estados”).

“Eu recomendei muito no Brasil que essas medidas fossem um pouco mais precoces. Ou seja: nós, em vez de começarmos com o nível 1 – e, quando a coisa estivesse ruim, passasse para o 2 e, quando a coisa estivesse ruim, passasse para o 3 –, que nós tentássemos num primeiro momento fazer a fase 3, quer dizer, impedir ou dificultar muito a entrada de pessoas que viessem de países que estivessem, naquele momento, com a epidemia. Mas isto não ocorreu – realmente não é uma medida fácil.”

Barros Franco lamentou, por exemplo, a demora para impedir a entrada de navios com estrangeiros de países já afetados pelo coronavírus, mas classificou as atuais medidas tomadas pelo Ministério da Saúde como “bastante corretas”.

“A sequência habitual 1, 2 e 3 já tinha sido testada na China e na Itália, e não tinha dado certo. Então [eu disse um mês atrás] que eu achava que nós deveríamos inovar e fazer ao contrário: ir dos números maiores para os números menores. E nós já estamos seguindo a sequência habitual e é possível que nós sigamos num caminho semelhante a esse. Mas acho que atualmente as medidas tomadas pelo Ministério da Saúde são bastante corretas, duras e necessárias”, disse o pneumologista, considerando que “no momento estamos numa fase crescente da infecção”.

“Evidente que nós podemos [por hipótese] optar por não fazer nenhum tipo de prevenção: libera todo mundo, todo mundo vai ser infectado, 70% [da população], vai morrer todo mundo que tem que morrer, vai viver todo mundo que tem que viver, e a epidemia vai acabar muito mais rápido, não tem dúvida alguma. Entretanto, quando isso ocorre, não vão morrer as pessoas que deviam morrer. Vão morrer muito mais pessoas do que deviam morrer. Porque vão morrer inúmeras pessoas na porta dos hospitais, fazendo fila, sem ter atendimento. Essas não precisavam morrer. Algumas poderão morrer mesmo com toda a assistência. Por isso a necessidade absoluta de se fazer numa primeira fase medidas duras e ir amolecendo essas medidas à medida que os dados estatísticos demonstrem que essa epidemia não está crescendo muito. Então existe uma diminuição das medidas mais pesadas”, avaliou Barros Franco.

“Parece-me absolutamente incorreto nós tomarmos medidas leves, esperar que não dê certo, para tomar uma segunda medida um pouquinho mais pesada, verificar que não dá certo, e tomar então a última medida, quando na realidade a coisa já está tomada. Nós vimos durante muito tempo vários navios aportando em portos brasileiros com pessoas de países que claramente estavam sofrendo processos epidêmicos e isso, a meu ver, deveria ter sido inibido há mais tempo. Mas agora esse momento já passou. Eu acho que nós temos que enfrentar o que nós estamos vivendo.”

Assista à íntegra da entrevista em vídeo:

 

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