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Carlos Bolsonaro, o vereador-geral da República

Em 2021, o filho 02 de Jair Bolsonaro seguiu distante da Câmara do Rio, manteve-se juntinho do papai e foi alvo da CPI da Covid
Carlos Bolsonaro, o vereador-geral da República
Foto: Renan Olaz/CMRJ

Carlos Bolsonaro continuou, em 2021, sua agenda de viagens eleitoreiras com o pai, deixando de lado a Câmara Municipal do Rio de Janeiro. O vereador-geral da República esteve ao lado do president para inaugurar obras muitas vezes ridículas, em sua campanha antecipada para 2022.

O 02 costuma ficar calado na maior parte do tempo nas viagens e só interagir com o papai.

Outro hábito que Carluxo não perdeu foi a disseminação compulsiva de notícias falsas e ataques a adversários do governo.

Em abril, com a instalação da CPI da Covid, os senadores da comissão e os depoentes que faziam críticas à gestão de Jair Bolsonaro durante a pandemia se tornaram os principais alvos do vereador.

Em um de seus surtos, Carluxo passou a enxergar em todos o lugares o gesto supremacista feito por Filipe Martins em uma audiência no Senado, para tentar relativizar o absurdo cometido pelo amiguinho.

Segundo Carluxo, a senadora Simone Tebet teria reproduzido o gesto durante uma sessão da CPI, assim como a vencedora do BBB Juliette Freire, em uma foto nas redes sociais. Para o filho do presidente, a mídia estaria ignorando os episódios, a fim de vilanizar o governo.

Depoimentos à CPI indicaram que Carluxo atuou na coordenação do “Ministério da Saúde paralelo”, que aconselhava o presidente sobre a pandemia e dava embasamento para seu negacionismo.

O ex-CEO da Pfizer Carlos Murillo disse que Carluxo estava presente em uma reunião entre representantes da empresa e membros do governo brasileiro, em dezembro de 2020. O Planalto vinha ignorando uma série de ofertas da farmacêutica desde agosto daquele ano.

A pedido da CPI, o governo informou que o filho do presidente foi ao Palácio do Planalto pelo menos 32 vezes em menos de um ano, o que, para os senadores, reforçou a tese do ministério paralelo.

A Crusoé pediu, em agosto, acesso ao crachá de acesso de Carluxo ao local. A Secretaria-geral da Presidência decidiu então impor sigilo de 100 anos sobre o documento.

Ao mesmo tempo, a Justiça do Rio de Janeiro finalmente de determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do filho 02 do presidente, numa investigação iniciada em 2019 que apura a contratação de funcionários fantasmas em seu gabinete.

Na decisão em que autorizou a medida cautelar, o juiz Marcello Rubioli, do TJ-RJ, afirmou que Carluxo é citado como “o chefe da organização criminosa” montada para desviar salários de funcionários. O Ministério Público afirmou que havia indícios suficientes de peculato.

Segundo o MP, a ex-funcionária de Carlos Diva da Cruz Martins teria ido ao gabinete de Carluxo pelo menos 58 vezes, para entregar pessoalmente o dinheiro que sua filha recebia. Os investigadores ainda acreditam que o filho do presidente tenha se encontrado com ex-assessores para combinar versões antes dos depoimentos.

Em outubro, o relator da CPI, Renan Calheiros, pediu o indiciamento do 02 por comandar uma organização especializada em fake news durante a pandemia.

Segundo Renan, Carluxo produzia as notícias falsas em parceria com o gabinete do ódio.

“O vereador Carlos Bolsonaro, além de participar da formulação sobre o conteúdo disseminado nas redes sociais pelos grupos e sites de apoio ao governo, atuou decisivamente na defesa do tratamento precoce por meio das redes sociais.”

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