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Camilo Santana gastou mais de 830 milhões com publicidade no Ceará

Petista governou de 2015 a março deste ano, quando deixou o cargo para disputar o Senado; seu colega da Bahia Rui Costa torrou quase 1 bilhão
Camilo Santana gastou mais de 830 milhões com publicidade no Ceará
Camilo Santana

O petista Camilo Santana gastou R$ 834 milhões em publicidade oficial durante os quase oito anos em que governou o Ceará. Valor próximo aos R$ 960 milhões empregados pelo baiano Rui Costa, seu colega de partido, no mesmo período, como revelou O Antagonista dias atrás.

No caso de Santana, a conta foi dividida entre as agências Verve Comunicação, Slogan Propaganda, EBM Quintto e Bolero. Algumas dessas empresas já atendiam ao governo do Ceará na gestão de Cid Gomes (PDT) e tiveram seus contratos aditivados em até dez vezes o valor original.

Em valores contratados e ainda não liquidados, o gasto com propaganda ultrapassaria R$ 1 bilhão.

O ano em que Camilo mais gastou com publicidade foi 2017, véspera da disputa pela reeleição. Foram R$ 162 milhões, em valores históricos — cerca de R$ 301 milhões corrigidos pela inflação.

Em 2017, as agências EBM Quinto e Bolero também conquistaram contrato de R$ 35 milhões com o Banco do Nordeste. O menor gasto do governo petista foi em 2018, com R$ 82,1 milhões, em valores históricos — R$ 148 milhões corrigidos. Na média, o gasto anual foi de R$ 114 milhões.

Os dados da execução orçamentária foram extraídos do próprio site oficial da Secretaria de Planejamento e cruzados com o Portal da Transparência do governo cearense, até o mês de março, quando Camilo desincompatibilizou-se do cargo para disputar o Senado em outubro.

Em termos comparativos, no ano passado o governo de João Doria, em São Paulo, estimou em R$ 153 milhões o gasto com publicidade para 2022, o maior em cinco anos e um aumento de 70% em relação aos 90,7 milhões de 2021.

Leia também: Gestão de Rui Costa gastou R$ 1 bilhão com publicidade

Atualização: o governo do Ceará enviou a seguinte nota ao site:

“O Governo do Ceará não investiu o valor citado em espaço publicitário em veículos de imprensa. 

1 – O recorte engloba contratos também firmados na gestão anterior (2010-2014) e que continuaram vigentes em algum momento da gestão atual, seja por tempo de contrato ou por aditivos. Contudo, os valores apresentados no levantamento, erroneamente, somam o valor total dos referidos contratos, e não o efetivamente pago após 2015.

2 – O Governo do Ceará pagou, de 2015 a 2021, o valor de R$ 393 milhões referentes aos contratos assinados na atual gestão. Ainda assim, este valor não foi globalmente aplicado para aquisição de espaço publicitários em veículos de comunicação.

3 – Os contratos com as agências englobam uma série de outros serviços que não o de mídia de propaganda. Como, por exemplo, a sinalização de prédios públicos (hospitais, escolas, equipamentos de segurança pública, estradas e etc), além de papelaria e plotagens, produção de peças e vídeos para divulgação de serviços, prestação de contas e conscientização da sociedade nas redes sociais. Para este ano, mesmo com todos os serviços aqui listados, a quantia prevista não ultrapassa R$ 50 milhões.

4 – Consta no levantamento ainda lançamentos no Portal da Transparência que não são referentes a contratos de publicidade. São contratos como os de publicidade exigida por lei, como o caso da publicação do Diário Oficial do Estado, avisos e editais públicos, e outros que meramente tenham o termo “Publicidade” em seus empenhos, no sentido de dar amplitude a determinado serviço público.

Contratos com as agências obedecem a critérios técnicos

Cabe frisar que os investimentos em Publicidade obedecem a valores de mercado, mediante tabela padronizada para todo o Brasil pelo Sinapro. Os contratos passam por todos os critérios de transparência, com concorrências públicas, das quais participam agências sindicalizadas. Toda a publicidade pública do Estado do Ceará atende a determinações legais; são campanhas de conscientização, são impessoais (sem a exibição de gestores públicos) e com o caráter de prestação de contas dos serviços prestados.”

Nota do editor: O Antagonista reafirma a apuração feita com base em dados oficiais da execução orçamentária do governo, incluindo contratos novos de publicidade, sob a rubrica Comunicação Institucional, e diversos aditivos firmados pela atual gestão sobre contratos anteriores. 

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