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Calero, sobre Iphan: "Não imaginávamos que o presidente da República iria confessar um crime"

Ex-ministro da Cultura, que denunciou Geddel Vieira Lima em 2016 por pressão ao Iphan, diz que Bolsonaro "corrói as instituições por dentro"
Calero, sobre Iphan: “Não imaginávamos que o presidente da República iria confessar um crime”
Foto: Lucio Bernardo Jr./ Câmara dos Deputados

O secretário de Governo da prefeitura do Rio, Marcelo Calero, disse nesta quinta (16) que Bolsonaro “corrói as instituições por dentro”, e acrescentou que não imaginava que o presidente iria confessar um crime.

“Depois do que aconteceu na gestão do Temer com o Iphan, nós sabemos que o Iphan é um órgão muito pressionado politicamente”, disse Calero a O Antagonista.

Calero foi ministro da Cultura no governo Temer. Em 2016, prestou depoimento à Polícia Federal para falar da denúncia contra o então secretário de Governo da Presidência, Geddel Vieira Lima.

“O que nós não imaginávamos”, acrescentou Calero hoje, “é que o presidente da República [Bolsonaro] iria em pessoa confessar um crime. Ele confessou um crime ali, é o crime da advocacia administrativa”.

Ontem, em evento na Fiesp e diante das câmeras da TV Brasil, o presidente Bolsonaro disse o seguinte:

“O Luciano Hang estava fazendo mais uma loja e apareceu um pedaço de azulejo durante as escavações. Chegou o Iphan e interditou a obra. Liguei para o ministro da pasta, né? ‘Que trem é esse?’ (…) Explicaram para mim, tomei conhecimento. Ripei todo mundo do Iphan. Botei outro cara lá. O Iphan não dá mais dor de cabeça para a gente”. Toda essa declaração foi transmitida ao vivo.

Na tarde de hoje, o MPF no Rio pediu o afastamento imediato da presidente do Iphan, Larissa  Dutra. Em comunicado à imprensa, o MPF disse que “[o] pedido se dá pelo surgimento de nova confissão do chefe do Poder Executivo, com prova vídeo (sic) documental, demonstrado o vício de finalidade na prática do ato”.

Calero acrescentou: “O MPF pediu esse afastamento inclusive no contexto da minha ação popular, que já havia afastado ela no início do ano passado”. 

Em junho de 2020, a Justiça Federal suspendeu a nomeação de Larissa para a presidência do Iphan. Calero, então deputado federal, alegou que ela não possuía qualificação compatível com o cargo. A decisão foi derrubada pelo TRF-2 cinco dias depois.

Calero disse mais sobre o presidente: “O Bolsonaro não está ali para fazer nenhum tipo de avanço republicano. Ele está ali para instrumentalizar as instituições a favor de seus aliados e do seu projeto de poder. Então ele corrói as instituições por dentro para colocá-las a serviço desse projeto. Esse é o programa objetivo do Bolsonaro. Ele não tem uma visão republicana”.

Procurados por O Antagonista, a Secom do Planalto, a Havan e o Iphan não se manifestaram.

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