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As 'pegadinhas' da consulta pública sobre vacinação de crianças

Formulário tem até pergunta sobre passaporte de vacina, assunto que não é competência da Anvisa
As pegadinhas da consulta pública sobre vacinação de crianças
Foto: Myke Sena/MS

O formulário da descabida consulta pública do Ministério da Saúde sobre vacinação de crianças está cheio de ‘pegadinhas’.

São feitas cinco perguntas de “sim” ou “não”, inclusive uma sobre passaporte de vacina para crianças, que não tem nada a ver com a avaliação da Anvisa.

As perguntas são:

“Você concorda com a vacinação em crianças de 5 a 11 anos de forma não compulsória conforme propõe o Ministério da Saúde?

Você concorda com a priorização, no Programa Nacional de Imunização, de crianças de 5 a 11 anos com comorbidades consideradas de risco para COVID-19 grave e aquelas com deficiência permanente para iniciarem a vacinação?

Você concorda que o benefício da vacinação contra a COVID-19 para crianças de 5 a 11 anos deve ser analisado, caso a caso, sendo importante a apresentação do termo de assentimento dos pais ou responsáveis?

Você concorda que o benefício da vacinação contra a COVID-19 para crianças de 5 a 11 anos deve ser analisado, caso a caso, sendo importante a prescrição da vacina pelos pediatras ou médico que acompanham as crianças?

Você concorda com a não obrigatoriedade da apresentação de carteira de vacinação para que as crianças frequentem as escolas ou outros estabelecimentos comerciais?”.

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Reprodução/Ministério da Saúde
As perguntas são bem esquisitas. Em primeiro lugar, não está claro que o ministério já proponha vacinar crianças, mesmo que de forma não compulsória. Afinal, é por isso que está fazendo a consulta pública.

A orientação também muda no meio. Para pessoas a favor da vacinação, o gabarito tende a ser “sim” para as duas primeiras perguntas e “não” para as três últimas. A última pergunta é confusa – “Você concorda com a não obrigatoriedade (…)”.

A quarta pergunta parece especialmente descabida. Ontem (23) à noite, o próprio Queiroga disse que a vacina “estará vinculada a prescrição médica”. Se o ministro já se decidiu, por que fazer consulta pública?

Certamente os leitores da Time terão muito a contribuir para a consulta.

Leia mais:

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