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Arilton Moura tinha acesso direto a MEC, diz prefeito em depoimento

Prefeito de Jaupaci, porém, disse que não foi atendido em suas demandas e que, na verdade, tomou prejuízo com a viagem até a capital
Arilton Moura tinha acesso direto a MEC, diz prefeito em depoimento
Milton Ribeiro e Arilton Moura. Foto: Luís Fortes/MEC

À Polícia Federal, prefeitos que se encontraram com Arilton Moura disseram que o pastor evangélico tinha trânsito livre no Ministério da Educação, na gestão de Milton Ribeiro. Segundo os depoimentos, obtidos por O Antagonista, Moura atuava como articulador para o repasse de verbas a municípios menores.

“[Arilton perguntou] se eu precisava de uma creche ou escola”, disse Laerte Dourado, prefeito de Jaupaci, cidade de três mil habitantes no interior de Goiás. “Ele falou que tinha um acesso bom com o ministro lá e que ele ia ajudar a conseguir esses recursos. Ele falou que tinha livre acesso lá no Ministério.”

O prefeito de Jaupaci, porém, disse que não foi atendido em suas demandas e que, na verdade, tomou prejuízo com a viagem até a capital.

Arilton Moura e Gilmar Santos são acusados de integrar esquema de tráfico de influência dentro do MEC com a conivência do então ministro Milton Ribeiro. Todos foram presos preventivamente na semana passada, e depois liberados.

O Antagonista teve acesso a três gravações feitas pela Polícia Federal com os prefeitos, tomadas por ordem da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia. Além do depoimento de Laerte Dourado, os policiais também ouviram Calvet Filho, prefeito de Rosário (MA); e Adelúcia Moura, prefeita de Israelândia (GO).

Calvet Filho conta que esteve com o ministro em janeiro de 2021 e pôde expor o que o município precisava na área da educação. O prefeito acredita que a fé evangélica, comum a ele e Milton Ribeiro, pode ter ajudado na liberação de verbas.

“Eu acredito muito que ele gostou de mim, e a graça de Deus também se manifestou – e ele se colocou à disposição para ajudar a cidade de Rosário em termos educacionais”, disse em depoimento. O valor repassado seria próximo de R$ 10 milhões.

Além do inquérito na suprema corte, sob relatoria de Cármen Lúcia, o Senado deve entrar na investigação com uma CPI – já há assinaturas suficientes para a instalação, que depende de decisão do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

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