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Agamenon: A nova gripezinha

"Graças ao meu histórico de jornalista mau caráter estou vendendo saúde e nem parece que tenho 126 anos idade, já que aparento uns 200."
Agamenon: A nova gripezinha
Agamenon/O Antagonista

Se você ainda não morreu afogado por causa das chuvas torrenciais, não se desespere: chegou o Ômicron, a nova variante da Covid. A “nova gripezinha” desembarcou no Brasil como uma banda de rock da década de 60, quando a maioria dos fãs já passou desta para melhor.

Menos eu, é claro. Graças ao meu histórico de jornalista mau caráter estou vendendo saúde e nem parece que tenho 126 anos idade, já que aparento uns 200. Cheguei até aqui porque sempre levei uma vida regrada: durante todos os dias da minha existência me entupi de bebida, comida e maconha (não necessariamente nesta ordem).

Consegui sobreviver a estes péssimos hábitos insalubres graças ao vício em remédios tarja preta e outras drogas pesadas. Foi a Isaura, a minha patroa, quem me salvou do flagelo dos tóxicos e me tornou um dependente em sexo. Sexo, alias, que até hoje é praticado aqui em casa diariamente, com ou sem a minha presença. Já tomei várias doses da vacina azulzinha da Pfizer, continuo mandando ver! Mandando ver uma série da Netflix atrás da outra. 

O ano de 2022 mal começou e, com as enchentes, veio uma enxurrada de especialistas da Globonews fazendo previsões catastróficas. Saudades da Mãe Dinah… Muitos acreditam que a vaca vai para o brejo, mas outros, mais realistas, acham que o brejo vai secar devido ao aquecimento global. E o que é pior: depois de quatro anos de Bolsonasno, vem aí a volta de Luísque Inácio da Silva, o Mula .

Confesso que depois que o Lula foi preso, ele subiu no meu conceito, mas agora que ele está solto como um político qualquer com imunidade essa admiração desapareceu como o meu salário nesta altura do mês. Aliás, salário é uma coisa que eu não recebo há muito tempo.

Como todos os meus 17 seguidores e meio (não esqueço nunca do anão) estão cansados de saber, O Antagonista é antagônico à ideia de que eu devo receber qualquer espécie de remuneração pelo meu trabalho. Acho que O Antagonista não me paga por uma outro motivo: se eu ganhasse alguma coisa, poderia ter dinheiro para contratar um advogado e processar meus patrões por trabalho escravo que, aliás, já foi abolido em grande parte da humanidade, menos aqui neste site.

Enquanto os donos do O Antagonista usufruem de uma vida nababesca, eu, Agamenon Mendes Pedreira, sou obrigado a viver da caridade alheia, mas mesmo a caridade filantrópica tem seus limites.

Por exemplo, os ossos de peru e as rabanadas que os vizinhos me ofereceram gentilmente depois das festas já foram roídos e devorados. Hoje vivo em situação de rua (a Rua da Amargura, onde fica estacionado o meu Dodge Dart 73, enferrujado) e padeço de uma grave insegurança alimentar. Penalizados com a minha penúria, os mendigos da área, em solidariedade, resolveram fazer uma vaquinha. O problema é que a vaquinha também foi pro brejo.

Agamenon Mendes Pedreira é antagonista de si mesmo.

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